Montenegro, o resistente que vai levar o PSD de volta ao Governo
21 de mar. de 2024, 00:55
— LUSA/AO online
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, indigitou Luís Montenegro como primeiro-ministro.O
19.º presidente do PSD vai assumir a liderança do Governo - nove anos
depois de o partido ter deixado o poder, em 2015 - sem ter tido
experiência executiva, embora já tenha dito publicamente que recusou por
três vezes ocupar cargos no Governo (com Santana Lopes e duas com
Passos Coelho) por razões familiares.Luís
Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, 51 anos, nasceu no Porto,
mas viveu sempre em Espinho (Aveiro) e é advogado de profissão.Montenegro
estreou-se no parlamento aos 29 anos, em 2002, na lista de Aveiro
encabeçada por Marques Mendes e quando Durão Barroso era presidente do
PSD e primeiro-ministro, depois de ter iniciado uma carreira política
que começou na JSD e passou pela Câmara Municipal de Espinho, onde foi
vereador. Nas autárquicas de 2005, candidatou-se a presidente do município, mas foi derrotado por José Mota, do PS.Depois
de ter sido ‘vice’ da bancada social-democrata na direção de Miguel
Macedo, foi eleito líder parlamentar após a vitória de Pedro Passos
Coelho nas legislativas, em junho de 2011. Manteve-se
neste cargo até 2017, tornando-se o líder parlamentar com maior
longevidade no PSD, e foi no período da ‘troika’ - em janeiro de 2014 -
que disse que “a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está
muito melhor”, frase que lhe viria a merecer muitas críticas.Nas
disputas internas no PSD, Luís Montenegro foi tendo opções diferentes:
nas diretas de 2007, entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes,
foi mandatário distrital do ex-autarca de Gaia; um ano depois, assumiu o
lugar de porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes,
contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho; já em 2010 apoiou
Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco; em 2018,
apoiou Santana Lopes contra Rui Rio já na reta final da campanha
interna, e em 2021, no próprio dia das diretas, escusou-se a revelar
publicamente em quem votaria, na disputa entre Rui Rio e Paulo Rangel.No
final de 2017, chegou a ponderar uma candidatura à liderança do
partido, quando Pedro Passos Coelho anunciou que não se recandidataria,
mas acabou por concluir que não estavam reunidas as condições para
avançar "por razões pessoais e políticas".Luís
Montenegro deixou o parlamento em abril de 2018, 16 anos depois de
tomar posse como deputado e, em janeiro de 2019, desafiou o então
presidente do PSD, Rui Rio, a convocar eleições antecipadas no partido,
um repto de que viria a sair derrotado e que já considerou “um grande
erro”.Depois desse episódio, faz uma pausa
na política, termina as colaborações regulares com órgãos de
comunicação social e frequenta um programa de gestão avançada para
executivos e líderes do Instituto Europeu para Administração de Empresas
em França.Em janeiro de 2020, disputa e
perde as eleições diretas para a liderança do PSD, mas obriga Rui Rio a
uma inédita segunda volta no partido (Miguel Pinto Luz foi o terceiro
candidato que ficou pela primeira volta, com cerca de 9,5% dos votos) e
conseguiu 47% do partido.Na noite da
derrota, em 18 de janeiro de 2020, o antigo deputado avisou logo que não
valia a pena anunciarem a sua morte política, considerando que essa
notícia seria "manifestamente exagerada", mas manteve-se discreto na sua
intervenção política nos dois anos seguintes e não entrou nas eleições
internas no final de 2021, disputadas pelo eurodeputado Paulo Rangel e
ganhas pelo antigo presidente da Câmara do Porto.Na
sequência da derrota do partido nas legislativas de 2022, que o PS
venceu com maioria absoluta, Rio não se recandidatou e Montenegro voltou
a disputar o lugar de presidente do PSD contra o antigo vice-presidente
do partido Jorge Moreira da Silva, que vence com facilidade com mais de
70% dos votos.A inesperada demissão do
primeiro-ministro, António Costa, em novembro passado na sequência de um
processo judicial em que o seu nome foi envolvido, levou-o a disputar
legislativas dois anos mais cedo do que o previsto, e numa altura em que
alguns já admitiam a sua substituição após as europeias de junho por
Pedro Passos Coelho.Para as eleições de 10
de março, Montenegro decidiu reeditar a Aliança Democrática de 1979 e
assinou um acordo de coligação pré-eleitoral com o CDS-PP, partido que
tinha saído do parlamento nas últimas eleições, e com o PPM.Se
na campanha conseguiu ter ao seu lado todos os ex-líderes, nos quase
dois anos da sua liderança foi o antigo Presidente da República Aníbal
Cavaco que mais vezes lhe manifestou apoio, e a quem Montenegro apontou
como “a sua referência política maior”.Tal
como Cavaco, que começou por liderar um governo minoritário, Montenegro
acredita que a vitória tangencial da AD de 10 de março poderá
significar apenas o começo de um regresso do PSD a anos de governação
para “mudar Portugal”.Em dezembro do ano
passado, o Ministério Público do Porto abriu um inquérito a alegados
benefícios fiscais atribuídos à habitação que construiu em Espinho, um
processo ainda sem desenvolvimentos, mas pelo qual o líder do PSD disse
não se sentir “minimamente condicionado”, garantindo que “tudo está
dentro da regularidade”.Casado e com dois
filhos, o desporto é uma paixão que começou na juventude, tendo jogado
futebol e voleibol de praia. Durante o verão, nas férias escolares, foi
nadador-salvador durante vários anos e, atualmente, pratica golfe.Na
sua infância, tinha a alcunha de ‘Ervilha’- por ser “redondinho”, ter
olhos verdes e pela cor de um fato de treino que usava sempre apesar de,
no futebol, preferir o azul e branco do Futebol Clube do Porto.