Montenegro espera que “haja uma evolução” na revisão da legislação laboral

Hoje 11:08 — Lusa/AO Online

“Nós faremos o caminho relativamente à legislação laboral, mas antes mesmo de o fazermos na componente parlamentar, estamos a fazê-lo na componente da concertação social com os parceiros sociais e não escondo que, atenta à posição de vários desses parceiros, em particular das confederações sindicais, é natural que haja uma evolução”, disse Luís Montenegro durante uma reação à eleição de António José Seguro como Presidente da República, no Porto.O chefe do executivo, que também assume a liderança do PSD, espera que “dentro dessa evolução” algumas das reservas demonstradas pelos candidatos presidenciais à proposta inicial do Governo, entre os quais o agora eleito António José Seguro, possam ser ultrapassadas.“E, portanto, a minha convicção, é que do trabalho de aproximação na concertação social e do trabalho de aproximação no parlamento possa surgir uma proposta final que tenha a promulgação do Presidente da República e que possa entrar em vigor no nosso ordenamento jurídico com o objetivo de reforçar a nossa economia, a produtividade das nossas empresas e a competitividade dos nossos agentes económicos”, apontou.O objetivo é que o país continue a aproveitar as oportunidades para gerar riqueza, para crescer acima da média da União Europeia e para ver os rendimentos das famílias portuguesas a crescer mais em Portugal do que crescem nos outros países da União Europeia, frisou.“O ano de 2025, que terminou há pouco, foi mais um ano onde se verificou esta trajetória, foi mais um ano onde os rendimentos dos portugueses subiram mais do que a média dos nossos parceiros e foi mais um ano onde os impostos sobre o rendimento do trabalho desceram e os salários subiram”, especificou.Segundo Montenegro, para Portugal continuar e reforçar esta trajetória precisa de ter uma fiscalidade mais amiga do trabalho e das empresas e de uma legislação laboral mais flexível.Com esta eleição presidencial “nada mudou”, considerou, acrescentando que as eleições legislativas foram inequívocas relativamente à vontade política do povo português para escolher o Governo e o programa que quer ver executado.“Aquilo que me parece, e é a nossa posição, é que os portugueses não querem sequer que se estabeleça uma discussão sobre saber se o Governo é de esquerda, é de direita”, frisou.O Governo é de Portugal, é o Governo de todos os portugueses e é o Governo do país, vincou.“E a liderança do Governo do país é do atual primeiro-ministro e da força política, a Aliança Democrática, que concorreu às duas últimas eleições e que as venceu de forma inequívoca. Nada disso esteve em apreciação nestas eleições presidenciais, aqueles que quiserem fazer leituras políticas disso poderão fazê-lo”, salientou.O primeiro-ministro reforçou que o que compete ao Governo fazer é executar o seu programa de forma competente, de forma firme e com a humildade democrática de quem, não tendo uma maioria absoluta na Assembleia da República, sabe que precisa de dialogar com as demais forças partidárias que têm representação parlamentar.