Montenegro diz ter garantia de Bruxelas de que Portugal não vai perder dinheiro do PRR
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Hoje 12:46
— Lusa/AO Online
"Saímos daqui com a garantia de
que, entre o Governo de Portugal e a equipa da presidente da Comissão
Europeia, será encontrada uma forma de acautelar que Portugal não vai
perder nem devolver nenhuma verba que tenha a ver com estes projetos que
só não vão ser concluídos neste período porque é manifestamente
impossível dada a forma como foram afetados por um motivo de força
maior", afirmou Luís Montenegro nem conferência de imprensa após a
cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas.O
primeiro-ministro afirmou que a Comissão Europeia manifestou
"disponibilidade total" para encontrar com o Governo "uma solução, uma
via, os mecanismos que forem necessários" para que Portugal "não perca
nenhuma das oportunidades de financiamento e investimento que estavam em
curso"."Não posso adiantar-vos exatamente
a modalidade em que isso vai acontecer, mas será seguramente ao abrigo
das regras que podem ter aqui maior agilidade e flexibilidade, sem
encontrar nenhum tipo de oposição ou bloqueio por parte dos restantes
Estados-membros", referiu.Questionado
pelos jornalistas se pediu a extensão do prazo do Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR) de Portugal, Luís Montenegro disse que não, mas que
pediu "uma solução que possa compaginar-se com as regras e a sua
flexibilidade à luz de uma motivação de força maior"."Posso
dizer que será sempre uma solução engenhosa, mas que terá,
naturalmente, de nos garantir que nós não vamos perder oportunidades
fruto de um evento para o qual não temos nenhuma contribuição", afirmou.Montenegro
defendeu que Portugal não deve ser prejudicado "por um evento que não
tem a ver com níveis de desempenho, com méritos de desempenho, com
sequer qualquer negligência da parte procedimental e da parte da
execução do Estado português", afirmando que os restantes
Estados-membros compreenderam essa posição."Tiveram
uma palavra de incentivo dirigida, precisamente, à confiança que têm de
que é possível alcançar um entendimento entre o Estado-membro e a
Comissão, porque eles próprios o fizeram no passado", disse.O
primeiro-ministro reconheceu ser difícil "perceber que, havendo tanta
rigidez de prazos, de marcos, de metas" no PRR, se consiga garantir que
Portugal não perde dinheiro."Mas é a minha
convicção que seria impensável - seria mesmo algo que ninguém
compreendia - [que isso não aconteça] se um Estado-membro está num
processo, num projeto, cumprindo todas as regras, todos os tempos, sem
nenhuma falha, nem procedimental, nem de execução… Está perante uma
catástrofe", disse, frisando que vai ser "difícil", mas vai-se "alcançar
esse entendimento", e afirmando que faz "um balanço muitíssimo positivo
da realização desta reunião".Luís
Montenegro agradeceu ainda aos líderes por terem incluído nas conclusões
da cimeira uma palavra de solidariedade a Portugal devido às
tempestades e frisou que, logo no início da reunião, pediu para ser
exibido "um pequeno filme", "ilustrativo, visualmente, dos impactos de
natureza social e económica que essa situação acarretou", salientando
que nem todos os Estados-membros tinham noção da sua "dimensão e
magnitude"."No decurso desse período, tive
a oportunidade de partilhar com os meus colegas e com a senhora
presidente da Comissão que aquilo que tivemos em Portugal foi um
fenómeno climático extremo, sem paralelo na nossa história", disse.