Montenegro diz que SNS só melhorará quando PS reconhecer desinvestimento histórico
4 de ago. de 2022, 12:01
— Lusa/AO Online
As
declarações de Luís Montenegro foram proferidas a propósito da carta
que médicos de ginecologia e obstetrícia dirigiram à ministra da
Saúde anunciando que a apresentarão escusa de responsabilidade sempre que
forem destacados para o trabalho de urgência hospitalar sem que as
respetivas escalas estejam de acordo com o Regulamento n.º 915/2021 de
15.10.2021.“Podem vir com os papões que
quiserem – falar de neoliberalismo no PSD, de governação difícil nos
tempos em que tivemos intervenção externa – mas não há momento histórico
em que tenha havido maior desinvestimento no SNS – na qualidade do
serviço prestado e na sua capacidade de ter mais e bons profissionais –
do que nestes anos [de gestão socialista]”, declarou o líder
social-democrata, acrescentando que, “enquanto o PS não tiver capacidade
de reconhecer isso, vai continuar a dizer que está tudo bem e a não ter
capacidade de resolver esses problemas”.Para
Luís Montenegro, a decisão dos ginecologistas e obstetras reflete o
ponto crítico a que chegou o SNS e, considerando que os socialistas
estão na liderança do país há sete anos, “há mais do que razões para se
poder assacar responsabilidade direta ao primeiro-ministro, ao governo
do PS e à ministra da Saúde”.O presidente
do principal partido da Oposição ironiza que a postura dos socialistas
tem sido, aliás, a de que “tudo o que acontece em Portugal é culpa de
alguém menos do Governo” e parece mesmo insinuar que o SNS não
enfrentaria problemas se os portugueses não insistissem em adoecer.Para
Luís Montenegro, a realidade, contudo, é que os serviços de saúde
representam atualmente “um drama quotidiano” para os portugueses, seja
para os doentes, seja para os que sentem “a angústia” de poder vir a
necessitar do SNS, pelo que “o Governo tem que ter a humildade de
reconhecer que as políticas que desenvolveu conduziram a esta situação”.“Não
chegámos aqui por acaso, em primeiro lugar porque houve um grande
desinvestimento nos serviços públicos em geral e no da saúde em
particular, e, em segundo, por teimosia ideológica, porque o sistema de
saúde em Portugal não tem uma forma coordenada e complementar de
associar o SNS com a oferta do privado e social”, argumenta o presidente
do PSD.Referindo que esse estado de
coisas também se deve à “ideologia comunista e bloquista”, que aponta
como corresponsável pelos erros do PS, Montenegro culpa o governo de
António Costa por ter degradado a qualidade do serviço e das carreiras
clínicas, do que resulta que o setor não tem atratividade nem capacidade
de retenção de profissionais – o que impede, por exemplo, o
funcionamento de urgências em horários normais, “num efeito bola de neve
em que, à medida que o tempo passa, a situação fica mais agudizada”.