Montenegro diz que posição de Costa “não é habilidade” mas “fuga às responsabilidades”
TAP
10 de abr. de 2023, 10:42
— Lusa/AO Online
Luís
Montenegro reagiu através da rede social Twitter à notícia da agência
Lusa desta manhã, que deu conta de que o primeiro-ministro considera
gravíssimo o e-mail que o ex-secretário de Estado Hugo Mendes enviou à
presidente executiva da TAP sobre o chefe de Estado e afirma que teria
obrigado à sua demissão na hora.“Só acha
isto gravíssimo?? Então fazer reunião entre CEO, PS e Governo para
preparar audição, ter ministro e ex-ministro a faltar à verdade, ser o
Governo a preparar as respostas da TAP, isso é tudo normal??”,
questionou o líder do PSD.Para Luís Montenegro, “isto não é habilidade, é fuga às responsabilidades”.António
Costa respondeu à agência Lusa antes de partir para uma visita de dois
dias à Coreia do Sul, depois de questionado sobre o teor do polémico
e-mail do ex-secretário de Estado das Infraestruturas, que se tornou
público na comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da TAP.“Como
ainda não parti, respondo a essa questão de política interna. Cada
instituição tem o seu tempo e este é o tempo da Assembleia da República
apurar a verdade, toda a verdade, como tenho dito, doa a quem doer”,
declarou o líder do executivo.António
Costa referiu que “não conhecia” esse e-mail “e, se tivesse conhecido,
teria obrigado o ministro [das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos] a
demiti-lo, na hora”.“É gravíssimo do ponto
de vista da relação institucional com o Presidente da República e
inadmissível no relacionamento que o Governo deve manter com as empresas
públicas”, acentuou.Na terça-feira, na
comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP, o deputado da Iniciativa
Liberal Bernardo Blanco confrontou Christine Ourmières-Widener com uma
troca de e-mails com o então secretário de Estado das Infraestruturas,
Hugo Mendes, sobre uma eventual mudança de data de um voo que tinha como
passageiro o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.Nesse
e-mail que dirigiu à presidente executiva da TAP, o ex-secretário de
Estado das Infraestruturas Hugo Mendes argumentava que era importante
manter o apoio político de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que era
o “principal aliado” do Governo mas que poderia tornar-se o “pior
pesadelo”.No dia seguinte à audição, a
Presidência da República afirmou, através de uma nota escrita, que nunca
contactou a TAP nem nenhum membro do Governo para uma mudança de um voo
de regresso de Moçambique em março de 2022.