Montenegro diz que EUA são “aliado incontornável” mas critica ameaças de Trump
Irão
6 de mar. de 2026, 16:50
— Lusa/AO Online
Luís
Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira
Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que
decorreu em Huelva (Espanha) e teve como tema central a
segurança climática, mas acabou dominada, na fase de perguntas, pelo
conflito no Médio Oriente.O
primeiro-ministro português rejeitou que o tema do Irão seja um problema
na relação com a Espanha, manifestando “respeito total” pelas posições
de Sánchez em matéria de política externa, e dizendo querer até
“desanuviar a tensão”.“As ameaças e as
acusações não são o caminho entre aliados”, disse Montenegro, depois de
ser questionado sobre a ameaça de represálias de Donald Trump a Espanha.O
primeiro-ministro começou por afirmar, sobre este conflito, que o
compromisso de Portugal “coma União Europeia, com a NATO e com a Carta
das Nações Unidas é inabalável”“O governo
português é um governo que defende a diplomacia e a negociação como
caminho para resolver os conflitos. E, do mesmo modo, é um governo que
está ao lado dos seus aliados quando os seus aliados se encontram em
conflito”, dissePor isso, continuou,
Portugal está ao lado dos parceiros da União Europeia, como Chipre, ao
lado dos parceiros da NATO, ao lado da Turquia, “caso haja a tentação
também de colocar em causa a segurança desse país amigo e aliado”.“Estamos
ao lado dos Estados Unidos da América, um aliado incontornável da nossa
vocação atlântica e do nosso sistema de segurança e defesa”, disse.Por
outro lado, e depois de ser questionado pela ameaça de represálias
norte-americanas à decisão espanhola de não permitir o uso das bases
militar no conflito do Irão, Montenegro fez uma crítica indireta ao
presidente dos Estados Unidos.“O caminho
da ameaça ou da acusação não é o caminho correto. Mas para que fique
muito claro, entre Portugal e Espanha não há nenhum problema. Há um
respeito total pelas capacidades, competências e participação de cada
um, há um nível do contexto geopolítico e há um nível de análise que
esse contexto importa para as decisões de cada um dos Estados”, disse.Em
resposta a uma outra pergunta sobre o mesmo tema, Montenegro disse que
não contribuiria para aumentar a tensão, mas “para tentar desanuviar”. “O
nosso posicionamento de Portugal é estar ao lado dos países que estão a
ser alvo desses ataques e daqueles que os defendem. E, por isso,
estamos ao lado dos Estados Unidos. Como estamos ao lado da Espanha
quando a Espanha decide apoiar as defesas de um país igualmente amigo,
como é o Chipre, membro da União Europeia”, disse.Questionado se Portugal admite enviar ajuda para países como o Chipre, como fez a Espanha, Montenegro não respondeu.Sánchez
tem condenado os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, tendo recusado a
utilização de bases militares em território espanhol pelos
norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos
EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias. O
Governo português deu uma “autorização condicionada” ao uso da base das
Lajes, nos Açores, já depois do início do ataque, no sábado, e Luís
Montenegro afirmou que “Portugal não acompanhou, não subscreveu e não
esteve envolvido nessa ação militar”, mas salientou que o país está mais
próximo do seu aliado norte-americano do que do Irão.