Montenegro diz que Costa “mostra medo” do PSD e arrogância ao nada dizer sobre a TAP
24 de abr. de 2023, 07:35
— Lusa/AO Online
Numa publicação na rede social
Twitter, pouco depois da transmissão de uma entrevista do
secretário-geral do PS à RTP, Luís Montenegro escreveu que “um
primeiro-ministro que não responde às preocupações dos portugueses
mostra que está fora de prazo”.“Não dizer
nada sobre as trapalhadas dos ministros e fazer de conta que a TAP não é
nada com ele mostra arrogância e desprezo pelo dinheiro das pessoas.
Tanta preocupação com o PSD mostra medo”, referiu Montenegro, após uma
semana em que desafiou, por várias vezes, Costa a pronunciar-se sobre as
alegadas contradições entre vários membros do Governo quanto à
fundamentação jurídica do despedimento dos presidentes executivo e do
conselho de administração da TAP.Nesta
entrevista, o secretário-geral do PS foi questionado sobre esta
exigência do líder do PSD, mas evitou o tema, dizendo antes querer saber
"qual é a alternativa do PSD" para o futuro da companhia aérea
portuguesa.Interrogado se não entende que
deve falar da existência ou não de um parecer jurídico e se não
considera que houve "uma trapalhada" na articulação entre ministérios
sobre este assunto, António Costa não respondeu diretamente à pergunta.Falando
em termos gerais da Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política
da Gestão da TAP, defendeu que o Governo não deve interferir nas
competências de outros órgãos de soberania e que as comissões de
inquérito não devem ser "arma de arremesso político, ou se não perdem a
sua credibilidade".Segundo António Costa,
também o presidente do PSD deveria "aguardar pelos resultados", mas "a
cada depoimento quer transformar num episódio da semana".Na
mesma entrevista, o líder do PS considerou ainda que Luís Montenegro
não disse o que seria necessário para se demarcar claramente do partido
de André Ventura: "Com o Chega nada, nada, nada".Interrogado
se não ficou descansado quando Luís Montenegro, numa entrevista recente
à CNN, excluiu governar ou aceitar o apoio de partidos "racistas, nem
xenófobos, nem oportunistas, nem populistas", o líder dos socialistas e
primeiro-ministro realçou nessa frase "o que não diz"."Não disse o que era necessário dizer: não haverá nenhum acordo com o Chega", realçou."O
grande problema", segundo o secretário-geral do PS, "não é a dimensão
do Chega em si – que já é significativa –, mas é o que o Chega
condiciona e determina a ação política da direita democrática".No
seu entender, "hoje o PSD tem muitas vezes um comportamento, uma
atitude, um vocabulário que não corresponde àquilo que é um partido
institucional".António Costa deu como
exemplo ter havido "um vice-presidente do partido" – Paulo Rangel – "a
dar uma conferência de imprensa pondo em causa a visita de um chefe de
Estado de um país irmão como é o Brasil" e identificou uma "enorme
degradação no debate político no vocabulário que hoje a direita vai
utilizando"."Pior do que a situação
equívoca, é que todo o posicionamento político do PSD, todo o tipo de
discurso que o PSD vai tendo sobre as questões das migrações, sobre o
funcionamento das instituições, o vocabulário que vai utilizando revela
uma preocupação fundamental do doutor Montenegro, que é que se distinga
pouco o PSD para os eleitores do Chega", sustentou.