Montenegro diz que alteração ao Subsídio Social de Mobilidade foi “tiro no pé”
15 de abr. de 2026, 17:07
— Lusa/AO Online
“[A alteração ao Subsídio Social
de Mobilidade] eu considero um monumental tiro no pé que a Assembleia
da República cometeu em matéria de justiça social e de garantia de uma
efetiva mobilidade dos cidadãos açorianos, madeirenses e
porto-santenses, com o continente e entre as ilhas”, disse, numa
resposta ao deputado único do JPP, Filipe Sousa, no debate quinzenal
desta tarde, no parlamento.Luís Montenegro
acusou também Filipe Sousa de “derramar lágrimas de crocodilo por ter
acompanhado o esforço de convergência do Chega e do PS” com o “objetivo
voluntarista” de “maximizar a disponibilidade para todos criarem uma
situação altamente injusta”.“Eu espero que
ainda se possa ir a tempo de inverter os efeitos da decisão, com todo o
respeito, repito, porque os efeitos da decisão são o de aumentar
exponencialmente o custo das viagens entre o continente e outros
destinos e as regiões autónomas”, afirmou, argumentando que foi tomada
uma decisão “incomportável e altamente prejudicial aos interesses das
pessoas”.Filipe Sousa tinha defendido que
as alterações aprovadas “foram um passo importante”, mas um passo que
“já devia ter sido tomado há muito tempo” para mitigar os custos da
insularidade e para que os habitantes das ilhas não sejam tratados “como
portugueses de segunda”.O deputado
criticou que, uma vez aprovadas as alterações no parlamento, se tenha
instalado a “ladainha do costume” e a “chantagem”, numa atitude de
“defesa encapotada de interesses instalados”.“De
repente, apareceram vozes muito preocupadas com o sistema, muito
preocupadas com os custos, muito preocupadas com o mercado. Mas,
curiosamente, nada preocupados com aquilo que os madeirenses e os
açorianos têm andado a pagar, ano após ano, do seu bolso, da sua
paciência e da sua dignidade”, criticou.O
deputado concluiu a intervenção questionando o primeiro-ministro se as
mudanças entrarão ou não rapidamente em vigor e pedindo mecanismos para
“impedir abusos, travar a escalada de preços e garantir que o modelo
serve de cidadãos não alimenta mais o negócios à custa do erário
público”.As alterações ao Subsídio Social
de Mobilidade foram aprovadas em votação final global com os votos a
favor de PS, Chega, BE, Livre, PAN e JPP, as abstenções de CDS-PP, IL e
PCP e o voto contra do PSD (com exceção dos seis deputados eleitos pelos
Açores e pela Madeira, que votaram a favor).Com
estas mudanças, o acesso ao Subsídio Social de Mobilidade passa a ser
designado por Mecanismo de Continuidade Territorial (MCT), deixa de
estar dependente da situação contributiva dos beneficiários e da
apresentação de recibo, caindo também o teto máximo do custo elegível da
passagem.O valor do reembolso atribuído a
residentes e estudantes das regiões autónomas resulta da diferença
entre o custo elegível da passagem e a tarifa máxima suportada pelo
residente. Se o custo da passagem for superior ao teto máximo, o
passageiro tem de suportar esse valor adicional.O
Subsídio Social de Mobilidade estabelece uma tarifa máxima para os
residentes de 79 euros e para estudantes de 59 euros nas ligações entre a
Madeira e o continente (ida e volta), com um teto máximo de 400 euros.