Montenegro avisa que EUA são aliados e recusou “inquinar política externa”
Médio Oriente
5 de fev. de 2025, 17:44
— Lusa/AO Online
No
debate quinzenal, o tema já tinha sido introduzido pela bancada do BE,
com Luís Montenegro a condenar “qualquer intervenção, propósito ou
intenção de haver uma limpeza étnica” na Faixa de Gaza, mas a rejeitar
retirar “conclusões precipitadas” das declarações do Presidente dos
Estados Unidos da América.A líder
parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, desafiou o primeiro-ministro a
ir mais longe e condenar em concreto as palavras de Donald Trump, que
na terça-feira disse querer assumir o controlo da Faixa de Gaza e
expulsar os palestinianos daquele território, e anunciou que o partido
apresentará um voto de condenação no parlamento.Montenegro
começou por dizer já ter respondido à questão, salientando que Portugal
estará sempre “do lado do direito internacional, do direito
humanitário, de um caminho que possa desembocar na constituição dos dois
Estados, o Estado de Israel e o Estado da Palestina”.“Todas
as declarações que desrespeitem estes princípios, nomeadamente aquelas
que possam antecipar qualquer tipo de limpeza étnica ou atitude
semelhante, têm a nossa condenação”, repetiu.A
deputada do Livre insistiu e colocou até um cenário hipotético:
“Imagine que um dia Donald Trump decide que quer anexar os Açores, que
quer fazer uma Riviera no meio do Atlântico. Então quem é que nos vai
proteger, quem é que vai levantar a voz para proteger Portugal quando
Portugal não protege os outros territórios?”.Na
resposta, Montenegro defendeu que “há coisas que o melhor é nem sequer
falar delas”, como a alusão “a qualquer violação da integralidade e
soberania do território português”.“No
contexto internacional e na preservação das nossas relações no contexto
das organizações internacionais, da nossa responsabilidade internacional
e também no contexto das relações bilaterais, a escolha do Governo será
sempre a de sensibilização, de diálogo, de concertação com os nossos
aliados e os Estados Unidos são inequivocamente nossos aliados”,
afirmou.E acrescentou: “Senhora deputada,
não vai contar com o Governo de Portugal para inquinar a nossa política
externa com alguma dúvida que possa ser suscitada por qualquer
declaração que extravase o nosso objetivo e a nossa responsabilidade de,
no contexto internacional, estarmos na linha da frente do direito
internacional, o direito humanitário e também de estarmos a salvaguardar
o interesse de Portugal”.O Presidente dos
Estados Unidos da América, Donald Trump, disse em conferência de
imprensa na terça-feira que quer que os Estados Unidos assumam o
controlo da Faixa de Gaza e reconstruam o território, depois de os
palestinianos serem reinstalados noutros locais.Após
o encontro com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na
Casa Branca, Trump não excluiu a possibilidade de enviar tropas
norte-americanas para apoiar a reconstrução de Gaza e considera que a
participação dos EUA será de “longo prazo”.