Montenegro acusa PS de ser “o maior usurpador de uma herança política” em 2015
Estado da nação
17 de jul. de 2024, 15:13
— Lusa/AO Online
Na resposta a uma longa ronda
de 22 pedidos de esclarecimento, Luís Montenegro dirigiu-se, sem
nomear, ao deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro, que tinha afirmado
haver um padrão de atuação do Governo, de “propaganda, desculpas e
usurpação”, referindo-se em concreto à inauguração pelo executivo da
variante da EN14, entre a Maia e a Trofa, obra que disse ter sido
consignada pelo então ministro das Infraestruturas e atual líder do PS
Pedro Nuno Santos.“Houve até alguém que
ousou dizer a este Governo, a este primeiro-ministro que está a usurpar o
trabalho feito pelos anteriores governos, naturalmente que o fizeram,
nunca deixo de registar isso”, começou por afirmar Montenegro.No
entanto, o primeiro-ministro questionou a legitimidade de usar esta
expressão “vindo de quem estava neste parlamento na altura em que os
portugueses escolheram o PSD e o CDS-PP para governar” e o PS ficou em
segundo, “a seis pontos, não foi por poucochinho”, referindo-se às
legislativas de 2015.“Quem é que foi o
maior usurpador de uma herança política que não o PS em 2015? Isso sim
foi usurpar a herança de um caminho que estava na direção certa e os
senhores interromperam”, criticou.Para
Montenegro, foi essa interrupção que “trouxe menos desenvolvimento, mais
pobreza” e colocou os serviços públicos de saúde, educação e a situação
da habitação “no seu pior momento de sempre dos 50 anos de liberdade”.“Na
saúde, na educação, no acesso à habitação, é verdade: nunca tínhamos
batido tão no fundo, todos os apelos que aqui fizeram para que sejamos
rápidos, isso é tudo verdade, mas só é verdade porque ficou por fazer ao
longo dos últimos 3.050 dias”, disse.A
fase de respostas da segunda ronda ao primeiro-ministro começou com um
incidente, já que só sobravam 18 segundos a Luís Montenegro para
responder às mais de duas dezenas de perguntas das várias bancadas.Por
consenso, e apesar das críticas do PS de má gestão do tempo por parte
do primeiro-ministro (que usou 32 minutos dos 40 de que dispunha para a
sua intervenção inicial), foi alterada a grelha acordada e concedidos
dez minutos extra a Montenegro.No final, e
perante as respostas do chefe do Governo, a líder parlamentar do PS,
Alexandra Leitão, concluiu que “a cedência de tempo não serviu para
nada, não respondeu a nada”, a não ser para uma espécie de comício.“Os dez minutos que foram dados para os portugueses serem esclarecidos não serviram para esclarecer os portugueses”, lamentou.Pela
bancada do PSD, o líder parlamentar Hugo Soares salientou que “cada um
dos deputados e membros do Governo usam da palavra conforme se entende”,
dizendo não entender que se desvalorizem as respostas concretas que
Montenegro deixou às perguntas dos deputados sobre os Açores e a
Madeira.Também o ministro dos Assuntos
Parlamentares, Pedro Duarte, saiu em defesa do primeiro-ministro, que
disse ter feito “um esforço quase diria desumano” para responder a todas
as questões. Sem resposta concreta por
parte de Montenegro ficaram, por exemplo, pedidos de esclarecimento de
várias bancadas sobre a situação do INEM, a construção de novos
hospitais, um alegado défice no fundo de reserva da segurança social, a
necessidade de “despartidarizar as empresas públicas” ou mais detalhes
sobre a proposta de descida do IRS para os jovens.Dos
dez minutos de que dispunha, Montenegro gastou cerca de cinco minutos a
responder a perguntas das bancadas do PS e do PSD sobre Açores e
Madeira, atualmente com executivos liderados pelos sociais-democratas.“Nós
estamos a trabalhar com os governos regionais, vamos inclusivamente
fazer uma cimeira tripartida para podermos aprofundar matérias que são
comuns com, por exemplo, a revisão da Lei das Finanças Regionais”,
afirmou Montenegro, sem dar mais detalhes sobre esta iniciativa.O primeiro-ministro aproveitou para responder às críticas do PS sobre a governação das Regiões Autónomas.“Tivemos
duas eleições regionais na Madeira e vencemos as duas, tivemos eleições
regionais nos Açores e vencemos essa eleição. Tivemos uma eleição
legislativa e vencemos essa eleição. Não vencemos as eleições europeias
no contexto global, mas por acaso também ganhámos as eleições europeias
nos Açores e na Madeira”, disse, pedindo “mais humildade” ao PS.Sobre
os Açores, o primeiro-ministro adiantou que o Governo já estendeu “a
possibilidade do Fundo Ambiental poder incluir intervenções na região
autónoma dos Açores, ao contrário daquilo que o governo anterior fez”.