Montenegro acusa Governo de “sacudir água do capote”
TAP
7 de mar. de 2023, 09:19
— Lusa/AO Online
“O Governo ao
fazer cessar de funções o presidente do Conselho de Administração e a
presidente executiva da TAP quer, no fundo, sacudir a água do capote,
quer arranjar bodes expiatórios para uma responsabilidade politica que é
sua, nomeadamente do senhor ministro das Finanças”, acusou Luís
Montenegro, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, à margem de uma
sessão do Clube dos Pensadores.O líder
social-democrata garantiu ainda que se fosse ele o primeiro-ministro, o
atual titular da pasta das Finanças, Fernando Medina, já não ocuparia o
cargo e salientou que é preciso “aprofundar a situação” da TAP para ver
se há mais “casos semelhantes” ao de Alexandra Reis.“Acho
que o ministro das Finanças está cada vez mais diminuído na sua
autoridade politica e na sua credibilidade para o exercício da função,
mas evidentemente, que compete ao primeiro-ministro fazer essa
avaliação”, afirmou o também ex-líder da bancada parlamentar do PSD.A
Inspeção-geral de Finanças (IGF) concluiu que o acordo celebrado para a
saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, adiantou hoje o Governo, que vai
pedir a devolução da indemnização.Na
sequência das conclusões do relatório, o Governo exonerou o presidente
do Conselho de Administração e a presidente executiva da TAP, Manuel
Beja e Christine Ourmières-Widener, e anunciou que escolheu Luís Silva
Rodrigues, que atualmente lidera a Sata, para assumir ambos os cargos.A
comentar os resultados daquele relatório e as decisões do Governo, Luís
Montenegro deixou uma garantia: “Há uma coisa que os portugueses podem
saber, se eu fosse primeiro-ministro o ministro das Finanças que tivesse
agido como Fernando Medina já não era ministro das Finanças”, afirmou.Montenegro
considerou que “o senhor ministro das Finanças não se pode esquecer que
assinou também o despacho de nomeação da engenheira Alexandra Reis para
a NAVE e foi ele que a foi convidar para secretária de Estado do
Tesouro do seu próprio ministério”.Pelo
que, disse, “as decisões que foram tomadas em todo este processo não são
indiferentes ao ministro que a foi contratar”, lembrando que “se o Dr.
Fernando Medina não tivesse ido convidar a engenheira Alexandra Reia
para ser secretaria de Estado do Tesouro, esta situação, todo este
enredo, talvez não fosse sequer do conhecimento público”.O
líder do PSD voltou a acusar o Governo de agir com “total ligeireza” no
caso da TAP: “Foi o ex-ministro das infraestruturas dizer que não sabia
de nada, depois que afinal assumia a responsabilidade porque o seu
secretário de Estado tinha tido conhecimento, para já, depois de ter
saído do Governo, vir dizer que por ‘whatsapp’ tinha tido conhecimento e
tinha dado o ok a que se pagasse aquela indemnização”; descreveu.“E
o ministro das Finanças vem dizer que não sabia de nada quando
recrutou, primeiro para a NAVE e depois para o seu Gabinete esta
personalidade”, finalizou.Para Montenegro
“é evidente que é preciso aprofundar a situação, ver se há mais casos
semelhantes, que contornos tiveram, que montantes foram envolvidos, como
é que as tutelas tiveram disso conhecimento”, o que poderá ser aferido
em sede de comissão de inquérito.Sobre o novo responsável pela transportadora, o líder do PSD desejou que faça um bom trabalho.“Espero,
naturalmente, que a pessoa em questão possa desenvolver o seu trabalho
com total competência, que possa evitar a sucessão de casos como este,
que possa evitar os conflitos dentro da companhia e que possa,
sobretudo, valoriza-la para que ela possa ter um processo de
privatização bem-sucedido”, disse.