"Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa" inicia digressão nos Açores
3 de fev. de 2023, 11:04
— Lusa/AO Online
O primeiro
de dois espetáculos nos Açores realiza-se este sábado, no Centro
Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, na Terceira, o segundo,
no próximo dia 12, no espaço Arquipélago – Centro de Artes
Contemporâneas, na Ribeira Grande, S. Miguel, conforme o programa da
digressão disponível na página da Internet da Cassandra, estrutura da
atriz, encenadora e criadora. O primeiro já se encontra esgotado, indica
a casa de espetáculos.Sara Barros Leitão
também apresentará a peça no Teatro Municipal Constantino Nery, em
Matosinhos, Porto, no Dia Internacional da Mulher, 08 de março, na
Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré, no concelho de Ílhavo, em 11 de
março, e no Centro de Artes de Ovar, a 18 de março, ambos no distrito
de Aveiro. Entre as salas já anunciadas
estão também o Theatro Circo de Braga, em 10 de maio, e o Teatro Miguel
Franco, em Leiria, a 28 de novembro.“Monólogo
de uma mulher chamada Maria com a sua patroa”, título que a criadora
"roubou" de um texto das “Novas cartas portuguesas”, de Maria Isabel
Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, culminou um longo
processo de investigação em arquivos, a partir de histórias de mulheres
sobre o trabalho doméstico e a criação do primeiro Sindicato do Serviço
Doméstico em Portugal, após o 25 de Abril de 1974, disse Sara Barros
Leitão à Lusa, quando da estreia, em novembro de 2021, no Centro
Cultural de Belém (CCB), em Lisboa."Devolver um pouco da história do trabalho doméstico, ainda muito pouco reconhecido e valorizado”, são objetivos da criadora.Sem
se apropriar da voz de nenhuma Maria, “como são chamadas grande parte
das trabalhadoras domésticas de modo a torná-las um sujeito comum e
coletivo e não individual”, nem de qualquer patroa, Sara Barros Leitão
concebeu, escreveu e interpreta um monólogo, em que fala de mulheres que
limpam e cuidam do mundo, mulheres que produzem, educam e preparam a
força de trabalho sem jamais obterem visibilidade ou relevo.A
ideia de criar um espetáculo a partir do trabalho e do serviço
doméstico, "uma questão associada às mulheres", sobretudo nas sociedades
ocidentais, "há muito" que acompanhava a artista, porque, enquanto
mulher, é algo que ocupa “grande parte” do seu dia, do seu tempo e da
sua carga mental.À semelhança de
anteriores monólogos que escreveu, encenou e interpretou – “Teoria das
três idades” e “Todos os dias me sujo de coisas eternas” – o espetáculo
estreado na Black Box do CCB encerra “uma espécie de trilogia deste 'one
woman show'“ decorrente de um longo processo de investigação em
arquivos e de histórias.Para a construção
de "Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa", processo em
que andou “obcecada e embrenhada”, a atriz consultou os arquivos do
primeiro Sindicato do Serviço Doméstico, em Portugal. Esta
estrutura foi criada em 10 de novembro de 1974, culminando um processo
lançado em maio desse ano, logo após o 25 de Abril, para que as
trabalhadoras do setor não ficassem "ao abandono", sujeitas apenas ao
"arbítrio dos patrões", como as suas dirigentes afirmaram na altura.“Monólogo
de uma mulher chamada Maria com a sua patroa" foi o primeiro trabalho
da estrutura fundada e dirigida por Sara Barros Leitão, em 2020.Tem cenografia e figurino de Nuno Carinhas, desenho de luz de Cárin Geada e desenho de som de José Prata.Nascida
no Porto, em 1990, Sara Barros Leitão venceu, em 2020, a primeira
edição do Prémio Revelação Ageas/Teatro Nacional D. Maria II, no
montante de 5.000 euros.