Monjardino recomenda a Portugal que defina áreas a investir na China
27 de nov. de 2019, 12:26
— Ana Tomás Ribeiro/Lusa/AO Online
Portugal "tem já muito pouco" para recuperar
da relação histórica da 500 anos com a China, e já só conseguirá algum
ganho se fizer "um esforço muito grande, e muito bem direcionado para
setores de atividade compatíveis com a dimensão", oferecendo algo "útil”
a Pequim, afirmou Carlos Monjardino, em entrevista à Agência Lusa. Na
opinião de Monjardino, a saúde é um desses setores da economia
portuguesa com capacidade para investir no mercado chinês e com o qual
Portugal ainda pode "dar qualquer coisa de diferente”.Para
o presidente da Fundação Oriente, a saúde é uma área em que os chineses
"estão a vir pedir aqui [conhecimento], comprando empresas
portuguesas”.A Luz Saúde foi comprada "porque eles precisam do know how”, exemplificou.Em dezembro, passam 20 anos da transferência de administração de Macau e o período de transição só termina em 2049. No entanto, nestes 20 anos "não fizemos nada ou fizemos pouco" para defender os interesses portugueses. Na
opinião de Monjardino, Portugal perdeu as oportunidades de negócio que
poderia ter ganho antes da transferência da administração do território
para a China e "agora é muito mais difícil (...) voltar a apanhar o
comboio, porque o comboio já está em andamento há muito tempo". Porém, para o gestor "há coisas" que Portugal ainda pode fazer em Macau, mas principalmente na China."Macau
é de facto uma plataforma que a gente quer que seja grande e muito
importante, mas estamos porventura a dar-lhe importância a mais. Uma
coisa é Macau outra coisa é a China. Macau pode servir de uma pontezinha
para a China, mas não é garantido que passando por Macau, se entre pela
China dentro à vontade", frisou, defendendo uma maior aposta no vinho,
têxteis, produtos farmacêuticos ou novas tecnologias.O
que é preciso "é escolher os setores em que Portugal tenha dimensão
para poder chegar a um acordo com pés e cabeça com a China. E já não
estou a falar com Macau, estou a falar com a China em geral, porque
Macau é um microcosmos", reforçou.