Monitorização do abandono escolar sugerida pelo TdC implica mais custos
29 de jul. de 2020, 11:29
— Lusa/AO Online
“Uma
monitorização mais detalhada do abandono escolar precoce, como a que
sugere o relatório do Tribunal de Contas, além dos custos elevados que
comporta, deve sempre respeitar os limites de competências das Regiões
Autónomas, consagrados na Constituição da República, bem como os
requisitos de proteção de dados que se aplicam ao cruzamento de
informação sobre os cidadãos recolhida por diferentes instituições,
algumas delas externas ao Ministério da Educação”, pode ler-se no
comunicado. O Ministério da Educação
sublinhou também que Portugal regista a redução mais significativa do
abandono escolar na Europa e que o “indicador Abandono Precoce da
Educação e Formação está consolidado, na União Europeia (UE), desde
1999, sendo utilizado pelos organismos oficiais responsáveis pelas
estatísticas de cada estado-membro, no caso português, o Instituto
Nacional de Estatística”.“Em 2002,
primeiro ano em que existe informação dos 28 estados-membros, o abandono
era de 17% na União Europeia [EU] e de 45% em Portugal, colocando
Portugal em penúltimo lugar e em flagrante contraste com os seus
congéneres”, assinala-se na mesma nota.Já
em 2019, “Portugal registou a média mais baixa de sempre - 10,6%, em
linha com a média europeia”, enquanto “no primeiro trimestre deste ano,
foram alcançados os 10,0%, valor acordado com a UE como objetivo para
2020”, sublinha-se.Por outro lado,
salienta-se o “compromisso do Governo em reforçar a sua intervenção
nesta área”, com “a constituição de um Grupo de Trabalho no Ministério
da Educação que procurará consolidar, aperfeiçoar e reforçar os
instrumentos de monitorização e combate ao abandono escolar precoce, no
contexto da atual pandemia de covid-19”.O
Ministério da Educação destacou “um vasto conjunto de medidas e
iniciativas (…) focados tanto diretamente no combate ao abandono como no
combate ao insucesso que, como está comprovado, constitui o principal
preditor do abandono”.O TdC tinha alertado
para fragilidades no sistema de recolha de dados e de monitorização do
abandono escolar precoce, sublinhando que não é possível conhecer os
números reais, uma conclusão que consta de um relatório hoje divulgado. No
documento, que resulta de uma auditoria ao abandono escolar, o TdC
reconhece os avanços no combate a este problema, recordando que entre
1992 e 2019 a taxa de abandono escolar precoce passou de 50% para 10,6%,
aproximando-se da meta europeia de 10%.No
entanto, assinalou problemas ao nível da recolha de dados sobre o
fenómeno e da sua monitorização, que afetam a fiabilidade da informação
sobre o abandono escolar e, consequentemente, a eficácia de quaisquer
medidas para o seu combate. De forma a
mitigar os obstáculos sistemáticos, o TdC deixou uma série de
recomendações, como a definição “clara e inequívoca” do abandono e dos
seus indicadores no sistema de ensino nacional, e o mapeamento do
fenómeno, com detalhe a nível nacional, regional e local.Recomendou-se
ainda a definição de uma estratégia de combate global, a implementação
de sistemas de controlo e de informação eficazes e a promoção da
transparência no Programa Orçamental, com a disponibilização de
informação sobre o montante reservado a esta área.No
relatório, apesar de reconhecer os progressos na redução do abandono
escolar precoce, o TdC alertou ainda que Portugal, mesmo que próximo da
meta europeia, continua em 21.º lugar entre os 28 países da União
Europeia.Face ao contexto atual da
pandemia de covid-19, o TdC apontou a possibilidade um agravamento do
insucesso e do abandono escolar, em particular entre os alunos mais
vulneráveis.