Moldavos aprovam em referendo a inclusão da adesão à UE como objetivo nacional na Constituição
21 de out. de 2024, 12:21
— Lusa/AO Online
A CEC indicou
tratar-se de resultados que correspondem a 99,41% dos votos, faltando
ainda concluir a contagem dos votos do estrangeiro.A
Moldova candidatou-se à adesão à UE em março de 2022, tendo-lhe sido
concedido o estatuto de país candidato em junho do mesmo ano. Em
dezembro de 2023, os dirigentes da UE decidiram iniciar as negociações
de adesão.Nas eleições presidenciais de
domingo, que ocorreram em simultâneo com o referendo, a atual Presidente
moldova, Maia Sandu, ficou em primeiro lugar (cerca de 42% dos votos)
na primeira volta das eleições presidenciais, mas prepara-se para uma
segunda volta difícil, em 03 de novembro, com o candidato pró-russo
Alexander Stoianoglo (26% dos votos).Rússia
declarou que os resultados das eleições presidenciais e do
referendo sobre a adesão à União Europeia (UE), realizado domingo na
Moldova, apresentam “anomalias” e levantam muitas questões.“Foram
observadas anomalias nos resultados da votação na Moldova devido ao
aumento de votos a favor da [Presidente moldava Maia] Sandu e da
integração europeia", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na
sua conferência telefónica diária.Peskov
referiu-se à mudança nos resultados da votação à medida que a contagem
estava a avançar, o que ampliou a vantagem de Sandu sobre o seu
adversário mais próximo, o pró-russo Alexander Stoianoglo, e com uma
viragem a favor do “sim” no referendo sobre a entrada da Moldova na UE.“Os
indicadores que vemos hoje, que estamos a acompanhar, e a dinâmica das
suas mudanças, com certeza, levantam muitas questões”, sublinhou.O
porta-voz do Kremlin acrescentou que é “difícil explicar o ritmo do
aumento mecânico dos votos a favor de Sandu e a favor dos participantes
no referendo que defendem a orientação pró União Europeia”.“Qualquer
observador que tenha a mínima compreensão da essência dos processos
políticos pode detetar estas anomalias com o aumento destes votos”,
insistiu.Peskov pediu também a Maia Sandu
que apresentasse provas de interferência estrangeira nos processos
eleitorais, que denunciou na noite de domingo.Após
o início do escrutínio, que dava inicialmente uma clara vitória aos
adversários da entrada da Moldova na União Europeia, Sandu denunciou a
fraude.“Temos provas e informações de que
um grupo criminoso pretendia comprar 300 mil votos. Esta é uma fraude
sem precedentes cujo objetivo é comprometer a democracia. O seu objetivo
é semear o medo e o pânico na sociedade", afirmou a Presidente numa
brevíssima aparição perante os meios de comunicação social.Sandu sublinhou que “hoje, tal como nos últimos meses, a liberdade e a democracia na Moldova estão sob ataques sem precedentes”.“Grupos
criminosos, associados a forças estrangeiras, atacaram o nosso país com
mentiras e propaganda (…). Não deixaremos de defender a liberdade e a
democracia. Aguardaremos os resultados definitivos e voltaremos com
soluções”, acrescentou.O porta-voz do
Kremlin indicou que se trata de uma “acusação bastante grave”, pelo que
“deveriam ser apresentadas algumas provas ao público”.Também a Comissão Europeia denunciou uma “interferência e intimidação sem precedentes”, por parte da Rússia, no referendo.“Estivemos
a acompanhar de muito perto as votações [de domingo], o referendo e as
eleições presidenciais na Moldova. A Moldova é um parceiro muito
importante da UE e é de assinalar que esta votação teve lugar sob uma
interferência e intimidação sem precedentes por parte da Rússia e dos
seus representantes, com o objetivo de desestabilizar os processos
democráticos na República da Moldova”, reagiu o porta-voz do executivo
comunitário para os Negócios Estrangeiros, Peter Stano.“Estamos
agora a aguardar o anúncio final dos resultados oficiais de ambas as
votações e o anúncio dos observadores eleitorais da Comissão Central de
Eleições, o que deverá acontecer esta tarde, e, depois disso,
apresentaremos a nossa reação oficial”, acrescentou, falando na
conferência de imprensa da Comissão Europeia, em Bruxelas.“Obviamente
que, no que toca à adesão da Moldova [à UE], continuamos a apoiar
plenamente as suas ambições, as suas aspirações e os seus esforços”,
garantiu Peter Stano.