Moedas realça importância do policiamento comunitário e apela a investimento na PSP
28 de mai. de 2025, 14:53
— Lusa/AO Online
Carlos
Moedas (PSD) falava à agência Lusa à margem da conferência "Segurança
urbana e comunidades locais", organizada pela autarquia e pela Polícia
Municipal de Lisboa (PML).Segundo o autarca, neste momento, já existem 15 zonas da cidade onde é feito policiamento comunitário.“É
um policiamento de proximidade, é um policiamento em que o polícia se
torna no fundo um parceiro da comunidade, isso é muito importante, nos
nossos bairros mais sensíveis tem sido crucial”, disse, sublinhando que a
câmara vai “continuar a investir” porque “é essencial para a cidade”.Afirmando
que a polícia não pode ser vista só “quando há um problema”, o
presidente da Câmara de Lisboa defendeu que os agentes têm que estar
presentes nos bairros para que as pessoas se sintam seguras.Carlos
Moedas voltou a frisar que Lisboa é “uma cidade segura” e, exatamente
por esse facto, observou que todos se devem “preocupar com a segurança”.“Não
devemos deixar os temas como a segurança aos extremos da nossa
sociedade, sejam eles da extrema-esquerda ou da extrema-direita”,
salientou, reiterando a necessidade de haver mais efetivos policiais,
tanto na Polícia de Segurança Pública, como na Polícia Municipal.O
autarca avançou que, em 2010, Lisboa contava com oito mil agentes da
PSP e hoje tem 6.700, acrescentando que a Polícia Municipal “só tem 400
[efetivos] e podia ter 600”.“Portanto, há
um problema claríssimo. Nós precisamos de mais polícia. Obviamente
falou-se muito sobre os números da criminalidade, que no seu geral
baixaram e fico contente por isso, mas há muitos temas em que não
baixaram”, disse, exemplificando com os crimes de violência doméstica
contra menores e as violações.Moedas pediu
ainda ao próximo Governo para que seja feita uma reflexão sobre os
crimes que estão com tendência para subir e insistiu num aumento de
competências da Polícia Municipal, nomeadamente “na capacidade de fazer
detenções”.Na conferência esteve também
presente o comandante da Polícia Municipal de Lisboa, José Carvalho
Figueira, que também alertou para a necessidade de reforço do efetivo
policial.“Em menos de uma década perdemos
30% do efetivo policial, passámos de 588 elementos policias, em 2018,
para 412 policias atualmente, sem o devido reforço de policias será
muito difícil manter uma atuação de qualidade adequada às necessidades
da população. Lisboa precisa de mais polícias e polícias com mais
competências”, disse Carvalho Figueira.O
responsável reiterou também a urgência de os diplomas legais que regulam
o regime especial das polícias municipais de Lisboa e do Porto serem
revistos, o que não acontece há duas décadas.A
participar no primeiro painel, denominado “Policiamento Comunitário:
construir confiança, promover proximidade”, esteve o presidente da Junta
de Freguesia de Campolide, Miguel Belo Marques, que destacou á Lusa o
papel do policiamento comunitário no território que gere.“Tem
sido absolutamente fundamental não só na identificação de uma série de
questões e de problemáticas que assolam a comunidade e o território, não
só questões estritamente de segurança, mas também de outros aspetos que
impactam a vivência da comunidade”, lembrando que o início do programa
em Campolide remonta a 2021.De acordo com o
autarca, o primeiro oficio que fez enquanto presidente da junta foi
precisamente “solicitar a criação do programa de policiamento
comunitário para o bairro da Liberdade e o bairro da Serafina”.Questionado
sobre a necessidade de alargar o programa a outros bairros lisboetas,
disse não ter dúvidas de que o programa “em alguns bairros considerados
mais complexos e com maior número de ocorrências criminais” faria
diferença.“Talvez não dê resultados num
primeiro momento, mas não tenho dúvidas que este programa trabalha muito
na prevenção e, como tal, talvez não apresente resultados miraculosos
num primeiro momento, mas a médio e longo prazo terá resultados
absolutamente fundamentais e muito impactantes na diminuição da
criminalidade”, afirmou.Miguel Belo
Marques reconheceu que ainda não se chegou ao ponto que gostaria em
Campolide, frisando, no entanto, ser nesse sentido que se caminha com
base neste programa.O policiamento
comunitário da Polícia Municipal de Lisboa visa um policiamento de
proximidade junto das comunidades, de forma a construir uma cidade mais
segura, mais inclusiva, com cidadãos mais participativos e maior
qualidade de vida.Atualmente, este
policiamento já está implementado na Alta de Lisboa,
Ameixoeira-Galinheiras, Alto da Ajuda, Alvalade-Guerra Junqueiro, Bairro
Padre Cruz, Bairro Alfredo Bensaúde, Bairro do Condado, Mouraria,
Baixa-Chiado, Misericórdia, Benfica, Picheleira, Bairros da Liberdade e
Serafina, Bairro de Santos-Rego, Avenida da Liberdade e Quinta do
Lavrado.