Modi resiste à pressão para confinar Índia enquanto mortes aumentam
Covid-19
4 de mai. de 2021, 10:54
— Lusa/AO Online
Depois
de, no ano passado, Modi ter decretado um confinamento nacional sem
aviso prévio, que espoletou uma crise humanitária com os trabalhadores
migrantes a fugirem a pé para as áreas rurais, agora o primeiro-ministro
indiano resiste à pressão dos seus aliados políticos e principais
líderes empresariais para um novo confinamento, face ao aumento de
mortes por Covid-19 no país.Apesar
da resistência de Modi, até mesmo Estados governados pelo seu partido, o
Bharatiya Janata, estão a ignorar os seus conselhos."Um
dos problemas é essa falsa narrativa de que ou é um bloqueio total, o
que equivale a um desastre económico, ou nenhum bloqueio, que é um
desastre de saúde pública", disse à Bloomberg Catherine Blish,
especialista em doenças infecciosas e saúde pública. "O
que está a acontecer agora é um desastre económico e de saúde. Se há
grandes faixas de população a adoecer, isso não é bom nem para a
população, nem para a economia", acrescentou Blish.Na
semana passada, os canais de televisão e as redes sociais na Índia
foram inundados com imagens de crematórios superlotados e hospitais
desesperados com a falta de oxigénio. As
mortes diárias na Índia diminuíram ligeiramente depois de atingirem um
recorde de 3.689 no domingo, enquanto o número de casos diários
ultrapassou os 350.000 nos últimos dias.O
Serum Institute of India, o maior fabricante mundial de vacinas,
anunciou que vai entregar 220 milhões de doses aos governos federal e
estaduais indianos nos próximos meses, o que poderá abranger 8% da
população do país.O
Governo central liderado por Narendra Modi vai receber 110 milhões de
doses de Covishield, enquanto os governos estaduais e os hospitais vão
receber o restante, disse o fabricante com sede em Puneem, numa
publicação na rede social Twitter, sem especificar, no entanto, a data
de entrega."O
fabrico de vacinas é um processo especializado, portanto não é possível
aumentar a produção de um dia para o outro", disse o presidente
executivo (CEO) da Serum, Adar Poonawalla, em comunicado.De acordo com o responsável, produzir doses suficientes para todos os adultos na Índia "não é uma tarefa fácil".O
país de 1,3 mil milhões de habitantes iniciou, no fim de semana, uma
nova fase da campanha de vacinação para abranger todos os maiores de 18
anos, embora algumas regiões indianas tenham indicado ter falta de
doses.O ritmo de vacinação tem sido lento desde o início da campanha, em janeiro, com 157 milhões de doses administradas até agora.A
Índia registou 3.417 mortos devido à Covid-19 e 368.147 casos nas
últimas 24 horas, anunciou o Ministério da Saúde indiano na
segunda-feira. O país acumulou 218.959 óbitos e 19,9 milhões de casos desde o início da pandemia, indicou a mesma fonte.Estes
dados mostraram uma ligeira descida, pelo segundo dia consecutivo, das
infeções, depois de o país ter ultrapassado, no sábado e pela primeira
vez, os 400 mil casos diários. A
Índia atravessa uma segunda vaga da doença, que sobrecarregou o sistema
de saúde, com escassez de oxigénio e de camas em grandes cidades como
Nova Deli. É
agora o segundo país do mundo com mais casos, atrás dos Estados Unidos,
e o quarto com mais óbitos, depois dos EUA, do Brasil e do México.