Modelo de IA da Meta invadiu sistema de outra empresa de forma autónoma
Hoje 17:49
— Lusa/AO Online
Nas
últimas semanas, a OpenAI e a Anthropic descreveram também casos de
modelos de IA que extrapolaram as instruções humanas para aceder à
Internet e encontrar formas de contornar a segurança digital de outras
empresas.A Meta referiu na quinta-feira,
em comunicado, que uma "configuração incorreta" durante os testes de
cibersegurança realizados pela Irregular, uma empresa independente
contratada pela Meta, permitiu inadvertidamente que um dos seus modelos
acedesse à internet."O modelo explorou
posteriormente uma vulnerabilidade de segurança num serviço de
terceiros, de forma semelhante a casos anteriormente reportados com
outras empresas", referiu a empresa-mãe do Facebook, Instagram e
WhatsApp.A Meta afirmou que está a investigar o incidente e divulgará um relatório quando a investigação estiver concluída.A
divulgação aumentou as preocupações sobre os modelos de IA que agem de
forma autónoma, noticiou a agência Associated Press (AP).Num
outro comunicado divulgado esta semana, o Instituto de Segurança de IA
do Reino Unido (AISI) anunciou ter encontrado "comportamento não
autorizado dos agentes" durante testes. Num dos casos, um agente criou identidades 'online' falsas para pressionar uma pessoa a aprovar o uso de código malicioso."Após
investigação, descobrimos que alguns dos agentes testados se envolveram
em atividades contínuas e potencialmente prejudiciais dirigidas a
pessoas e organizações reais", realçou o AISI na terça-feira.Durante os testes da agência, os modelos da Anthropic e da OpenAI realizaram "ações autónomas e não autorizadas" na Internet. Algumas medidas de segurança para evitar o uso indevido tinham sido desativadas, acrescentou a agência."Como
é padrão nos nossos testes cibernéticos, permitimos intencionalmente o
acesso à Internet e desativamos deliberadamente os classificadores
cibernéticos dos fornecedores de modelos — condições que não refletem a
forma como os modelos de ponta são disponibilizados ao público",
esclareceu o AISI, detalhando que o objetivo é "avaliar da melhor forma a
capacidade máxima dos modelos".A
Anthropic afirmou estar grata pelo trabalho da AISI e acrescentou que
este reforça a necessidade de uma discussão mais ampla sobre como
avaliar os agentes de IA em segurança, à medida que as suas capacidades
aumentam.A OpenAI declarou que os
incidentes da AISI ocorreram "em ambientes de teste com salvaguardas
reduzidas, em condições que não refletem a utilização comum", mas
garantiu que continuará a trabalhar com outros parceiros do setor.A
empresa responsável pelo ChatGPT foi a primeira a divulgar um
ciberataque no final do mês passado, acrescentando que tinha incumbido
os modelos de IA envolvidos de realizar "exploração avançada utilizando
caminhos de ataque complexos" para testar capacidades cibernéticas,
tendo a tecnologia ultrapassado os limites esperados. Aparentemente,
decidiu por conta própria atacar a Hugging Face, um conhecido centro de
desenvolvimento e mercado de IA, para obter informações necessárias
para executar uma tarefa.