Moção quer partido capaz de se renovar e com foco no desenvolvimento económico
PS/Congresso
Hoje 15:05
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, o socialista Bruno Gonçalves deu conta das
linhas gerais da moção setorial da qual é o primeiro subscritor,
intitulada “Portugal, o terceiro maior país europeu”, que será levada ao
25.º Congresso Nacional deste fim de semana, em Viseu, e que tem entre
outros nomes que a assinam os ex-ministros Fernando Medina, Ana Catarina
Mendes, Ana Mendes Godinho e João Costa.“Eu
acho que, sistematicamente se tem dito ao longo dos últimos meses, que é
preciso dar tempo, que é preciso tempo para reconstruir. Acho que o
tempo é agora e é preciso tempo para nós decidirmos, pensarmos e,
sobretudo, dizermos com clareza aos portugueses o que é o PS e que casa é
que encontram no PS”, defendeu.O objetivo
desta moção é “recentrar o PS e colocar o desenvolvimento económico
como centro da agenda do PS”, de acordo com o socialista.“E
quer, sobretudo, um PS que é capaz de se renovar e é capaz de inovar,
seja tanto nas políticas públicas que propõe como nos protagonistas que
apresenta à sociedade”, apontou.Na
perspetiva de Bruno Gonçalves, “esta moção, mais do que uma ode à
inovação, é uma ode ao desenvolvimento económico como o grande centro da
agenda política do PS”.“Em vez de
olharmos para a grande reflexão ou pequena reflexão que o PS deve fazer
momentaneamente em função dos resultados, a grande reflexão que nós
estamos convocados é para o custo da habitação quando os jovens não
podem comprar a casa, é para o tempo de espera na saúde quando os idosos
se desesperam para ter um Serviço Nacional de Saúde que lhes responda
às suas necessidades e é quando os jovens saem do país à procura de um
futuro melhor que não conseguem encontrar em casa”, defendeu.Segundo
o texto da moção, atualmente “com uma liderança estável, o PS tem
condições para refletir sobre um horizonte político que ultrapasse
dinâmicas de curto prazo”.“Nós apontamos
na moção que a liderança estável vem com uma responsabilidade acrescida
que é de olhar para o futuro. Tudo que seja menos do que isso é faltar à
nossa responsabilidade”, considerou o socialista, esperando que esta
moção sirva à direção nacional de inspiração “para juntar à sua própria”
porque o PS não tem tempo “nem para perder, nem para falhar”.Na moção, pode ler-se que "estruturar uma visão para o futuro é, por isso, uma tarefa prioritária"."Sem
este trabalho, o partido arriscar-se-ia a aceitar um acantonamento por
defeito num dos polos do seu campo político. Fosse como líder das
esquerdas ou como centrista, ambas as vias comportariam uma rigidez
limitadora da autonomia estratégica do PS. Seria esquecer esse princípio
fundamental que Mário Soares sempre exerceu", avisam.Para
o eurodeputado socialista, enquanto um “partido social-democrata
convicto”, o PS não pode deixar de refletir sobre “um Estado melhor",
não devendo “deixar sequer que a direita fique com o monopólio da ideia
da eficiência do Estado”.Segundo Bruno
Gonçalves, é preciso “combater o flagelo da imigração jovem” e fazer com
que “os mais jovens se sintam em casa em Portugal” com “melhores
salários, melhores condições de vida, maior capacidade de desenvolver a
sua própria liberdade individual”.“Se os
Estados Unidos olhavam para a Lua como grande referencial, os
portugueses entendem bem como nós devemos olhar para o mar e é aqui que
devemos criar um novo ‘hub’ azul”, propõe, defendendo que se olhe para a
biotecnologia, para a robótica marinha e para os materiais raros.Entre
os nomes que assinam o texto estão ainda vários presidentes de
Federação (Vila Real, Braga, Aveiro, Bragança, Açores, Setúbal ou
Santarém), além dos jovens e ex-deputados Joana Sá Pereira, Tiago Soares
Monteiro e Pedro Anastácio.