Moção dos Açores defende revisão constitucional para aprofundar autonomia
28 de jun. de 2022, 13:01
— Lusa/AO Online
Na proposta
temática, cujo primeiro subscritor é o líder do PSD açoriano e do
Governo Regional, José Manuel Bolieiro, defende-se que a “relação entre o
Estado e as Regiões Autónomas não pode assentar num princípio de
desconfiança política”.“A
afirmação da autonomia regional no âmbito da reforma do Estado deve
significar o aprofundamento constitucional da autonomia e a adequação
das políticas do Estado à realidade das ilhas”, lê-se no documento a que
agência Lusa teve hoje acesso e que será apresentado no 40.º Congresso
Nacional do partido, que vai decorrer entre sexta-feira e domingo, no
Porto.Os
sociais-democratas açorianos consideram que o Governo da República “não
pode e não deve excluir” os arquipélagos da “aplicação de medidas
nacionais” que “impõem a sua aplicação a todo o território nacional”.O
PSD/Açores quer a participação das regiões nos “processos de formação
da vontade do Estado” em matérias europeias e o “estabelecimento de um
círculo eleitoral próprio para cada uma das Regiões Autónomas nas
eleições para o Parlamento Europeu”.A
moção defende ainda a “alteração do modelo de financiamento” dos Açores
e da Madeira através de uma Lei de Finanças que “assegure a
estabilidade do financiamento” e que “conceda às regiões mais
competências na área da fiscalidade”.A
comissão política regional pretende uma “gestão conjunta e partilhada”
das zonas marítimas e a “participação, por direito próprio, dos
presidentes dos Governos Regionais” em reuniões do Conselho de Ministros
para “tratamento de assuntos relativos” aos arquipélagos.A
estrutura açoriana reivindica ainda uma “organização judiciária que
tenha em conta as especificidades” das duas regiões e que permita a
“alteração do regime de execução da declaração do estado de emergência”
que “deve ser assegurada por cada Governo Regional”.No
âmbito de situações de pandemia ou calamidade “legalmente decretadas”,
Açores e Madeira devem poder “condicionar, de modo transitório e
enquanto se verificar a situação que lhe deu origem, o acesso ao
território regional, por via marítima ou aérea ou impor restrições à
circulação de pessoas e bens”, advogam os sociais-democratas açorianos.“O
PSD, enquanto partido de alternativa e não apenas de alternância
política, deve liderar um processo de aprofundamento das autonomias
regionais, no âmbito da descentralização e reforma do Estado, através da
abertura de um processo de revisão constitucional”, lê-se na proposta.No
Congresso do PSD, só o presidente eleito pode apresentar uma moção de
estratégia global, enquanto as propostas temáticas podem ser
apresentadas pela direção, pelas várias estruturas autónomas do partido
(JSD, ASD e TSD), pelas estruturas regionais e distritais ou ainda
subscritas por 1.500 militantes ou por 50 delegados.