Moção de censura ofusca vitória do ÖVP de Sebastian Kurz
Europeias/Áustria
26 de mai. de 2019, 22:22
— Lusa/AO online
Foi pouco o impacto do
escândalo que abalou a Áustria no fim de semana passado. Depois de
divulgado um vídeo, feito num hotel em Ibiza, no qual o vice-chanceler,
Heinz-Christian Strache, prometia contratos públicos a uma mulher que se
fazia passar por neta de um oligarca russo, em troca de apoio ao
partido, as preferências do eleitorado não sofreram grandes mudanças.De
acordo com os resultados avançados até agora, o Partido Popular
Austríaco (ÖVP), não só vence as eleições como ainda cresce mais de 7%
em relação ao escrutínio de 2014, deixando o seu líder “quase sem
palavras”. Mas o sorriso de Kurz, de 32 anos, depois de conhecidos os
números, pode durar pouco.O atual
chanceler enfrenta esta segunda-feira, no parlamento, uma moção de
censura que poderá ser votada pelo Partido Social-Democrata da Áustria
(SPÖ), pelo Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) e pelo Jetz, e ditar o
seu afastamento.Caso se confirme, o
Presidente da República, Alexander Van der Bellen, terá de nomear um
chanceler de transição no mais curto espaço de tempo. As novas eleições
estão previstas para setembro deste ano.A
crise no governo, com a divulgação do vídeo protagonizado pelo líder do
partido de extrema-direita e vice-chanceler, ditou a demissão de
Strache. Todos os elementos do executivo, que pertenciam ao FPÖ,
acabaram também por abandonar.Ainda assim,
o “escândalo de Ibiza” não parece ter fragilizado o FPÖ, que apesar de
perder cerca de dois pontos em relação às últimas eleições, conseguiu
segurar o segundo lugar. Em terceiro lugar
ficou o SPÖ, que também registou uma descida ligeira nos resultados,
não beneficiando com o escândalo que derrubou a coligação governativa e
dando espaço para o crescimento dos Verdes. O principal partido de
esquerda é considerado o maior derrotado destas eleições europeias.