Moção de censura à Comissão Europeia rejeitada no Parlamento Europeu
10 de jul. de 2025, 17:03
— Lusa/AO Online
A moção de censura, a primeira do
executivo de Ursula von der Leyen, foi chumbada com 360 votos contra,
175 a favor e 18 abstenções, e precisava de dois terços dos votos
expressos pelos eurodeputados para ser aprovada.A presidente da Comissão Europeia, que está em funções há seis anos, não esteve presente durante a votação.Para
ser apresentada, uma moção de censura à Comissão Europeia precisa de
ser subscrita pelo menos por 72 deputados, representando um décimo do
hemiciclo.Os eurodeputados do PCP, João
Oliveira (que integra o grupo político A Esquerda), e do Chega, António
Tânger Corrêa e Tiago Moreira de Sá (que faz parte do grupo Patriotas
pela Europa, de extrema-direita), foram os únicos portugueses que
votaram favoravelmente a queda do executivo comunitário.A última moção de censura apresentada foi em 2014, na altura ao executivo de Jean-Claude Juncker e o desfecho foi o mesmo.A
moção de censura foi apresentada pelo eurodeputado romeno Gheorghe
Piperea, que faz parte do grupo político dos Conservadores e Reformistas
Europeus (ECR, na sigla em inglês, de direita conservadora e
extrema-direita), e foi subscrita por 79 eurodeputados.Na
segunda-feira, num debate na sessão plenária em Estrasburgo, o
eurodeputado romeno defendeu a queda do executivo comunitário pela
"vulnerabilização de princípios essenciais" da União Europeia e também
acusou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de
"perda de integridade".Gheorghe Piperea
decidiu avançar com uma moção de censura por causa da ocultação de
mensagens entre Ursula von der Leyen e o administrador da farmacêutica
Pfizer, em 2021, durante a pandemia de covid-19, por causa da aquisição
de vacinas contra o coronavírus SARS-CoV-2.“A
concentração da tomada de decisões nas mãos da presidente da Comissão
Europeia, algo que me parece antidemocrático, [Ursula von der Leyen] é
opaca”, considerou o eurodeputado no debate.A
presidente da Comissão Europeia rebateu as acusações, considerando que a
moção de censura é oriunda de um "mundo de conspirações".“Hoje
podemos todos fazer a nossa própria avaliação sobre os méritos [da
Comissão Europeia] (…) e cada um chegará à sua conclusão. O que acabámos
de ouvir é claro: é uma tentativa fraca dos extremistas de polarização,
de erodir a confiança na democracia, uma tentativa de reescrever a
história”, disse Ursula von der Leyen.Apesar
de ser a primeira moção de censura em dez anos, o chumbo está
praticamente garantido, uma vez que os representantes dos principais
grupos políticos do Parlamento Europeu (Partido Popular Europeu, o mesmo
de que faz parte Von der Leyen, e os Socialistas & Democratas)
rejeitaram a iniciativa, ainda que os socialistas tenham aproveitado
para criticar a Comissão Europeia. A esquerda e os liberais também disseram que não iriam fazer parte de uma moção que partiu da extrema-direita.A aprovação significaria a queda de todo o executivo.Desde
as primeiras eleições europeias, em 1979, foram apresentadas sete
moções de censura, mas nenhuma resultou na queda de um executivo
comunitário.