Mobilidade e revisão da Lei das Finanças Regionais mobiliza PSD nas regiões autónomas
Hoje 16:45
— Lusa/AO Online
“O
desenvolvimento dos Açores e da Madeira é o desenvolvimento de
Portugal”, afirmou o líder parlamentar açoriano, João Bruto da Costa,
reforçando que “essa é uma realidade que ninguém hoje em dia deve negar,
muito mais quando se revela que Açores e Madeira dão muito mais a
Portugal do que aquilo que eventualmente possam pensar” que recebem em
troca.O social-democrata falava em
conferência de imprensa na Assembleia Legislativa da Madeira, no
Funchal, na qual foram apresentadas as conclusões da Cimeira Parlamentar
PSD/Madeira e PSD/Açores, que decorreu no Funchal entre quarta-feira e
hoje. Corroborando João Bruto da Costa, o
líder da bancada social-democrata madeirense, Jaime Filipe Ramos,
sublinhou a importância da convergência entre os dois grupos.“Esta
ação não se limita a uma cimeira. É uma convergência política, que já
existia ao nível do partido, ao nível das nossas ideologias, mas que
agora há também a vontade de, em comum, lutarmos por causas que são
autonómicas”, disse. Entre as conclusões
da cimeira, que decorreu sob o lema “50 anos Autonomia, 50 anos de
Desenvolvimento”, os grupos parlamentares destacam como “metas a
desenvolver” a revisão da Lei das Finanças das Regiões Autónomas e as
questões da mobilidade, embora sejam áreas da tutela do Governo da
República. João Bruto da Costa defendeu
ser fundamental que a Lei das Finanças Regionais reconheça os princípios
da equidade, estabilidade e previsibilidade, ao passo que Jaime Filipe
Ramos considerou ser urgente a criação de um grupo de trabalho para a
sua revisão. “Se [o Governo da República]
não o fizer em tempo útil, pode ficar sujeito a outras vontades
parlamentares, que podem adulterar a vontade e a disponibilidade dos
governos regionais”, avisou.Por isso,
acrescentou, “era bom que o Governo da República […] se apercebesse da
necessidade de liderar este processo, em conjunto com os dois governos
[regionais], que tem legitimidade e vontade em fazê-lo”.Já
em relação à mobilidade aérea, o líder do grupo parlamentar do
PSD/Açores sublinhou que os residentes devem pagar apenas o valor do
subsídio estipulado administrativamente, mas reconheceu haver
dificuldades na execução do objetivo. “Sabemos
que não é um processo fácil em termos da sua concretização prática, mas
queremos crer que o Governo da República, com os compromissos que
assumiu nesse sentido, venha tão cedo quanto possível a concretizar”,
disse João Bruto da Costa.O madeirense
Jaime Filipe Ramos reforçou que a questão do subsídio de mobilidade tem
de ser “rapidamente resolvida” pelo Governo. “Não
é possível adiar mais. Se o Governo entender que tem outra solução a
apresentar, que o faça antes de que seja obrigado a fazer o que foi
aprovado pelo parlamento nacional”, alertou. As
conclusões da Cimeira Parlamentar PSD/Madeira e PSD/Açores referem, por
outro lado, a importância da revisão da Constituição, avançando com
medidas para aprofundar as autonomias, e destacam a necessidade da
conjugação de esforços no plano europeu, no contexto do novo quadro
comunitário de apoio. Os grupos
parlamentares realçam também a “dimensão atlântica” das regiões
autónomas, que as coloca “no centro da projeção de Portugal e da União
Europeia”, como plataformas geoestratégicas essenciais, com impacto
direto na defesa, na segurança, na economia do mar e na afirmação
internacional do país.