MNE recebeu "notícias tranquilizadoras" da comunidade e defende González como PR legítimo
Venezuela
5 de jan. de 2026, 18:58
— Lusa/AO Online
"Continuamos a
ter, até agora, notícias tranquilizadoras da situação da comunidade
portuguesa na Venezuela", afirmou Paulo Rangel aos jornalistas, após a
sessão de abertura do Seminário Diplomático, encontro anual de
diplomatas portugueses, em Lisboa.O
governante reiterou que os cerca de meio milhão de membros da comunidade
portuguesa, entre cidadãos nacionais e lusodescendentes, estão "numa
situação de volatilidade" e que a responsabilidade do Governo é "cuidar
deles", defendendo a necessidade de trabalhar para uma "solução que
traga estabilidade".“Alguns dos negócios
que são dirigidos por portugueses já estão a abrir e a funcionar, isso é
bom sinal”, comentou, referindo que “a comunidade portuguesa perdeu
muito com os governos de [Hugo] Chávez e de Maduro, (…) tanto que muitos
foram obrigados a regressar”.Instado a
comentar a legalidade da intervenção do Governo do Presidente
norte-americano, Donald Trump, que depôs o líder venezuelano, Nicolás
Maduro, Rangel reiterou que “Portugal respeita sempre e acha que se deve
respeitar a legalidade e a Carta das Nações Unidas”.No entanto, sublinhou, há “aspetos benignos”, desde logo “a queda de Maduro”.“Desta
intervenção, uma vez ocorrida, nós devemos tirar as conclusões que nos
levem a poder criar um processo democrático que traga mais bem-estar
para toda a Venezuela e para os portugueses que lá vivem”, comentou,
incluindo trabalhar com os Estados Unidos para uma “solução política e
governativa que traga estabilidade, traga segurança às pessoas e traga
essencialmente um processo democrático”.O
chefe da diplomacia portuguesa recordou que Portugal não reconheceu a
reeleição de Maduro nas presidenciais de 28 de julho de 2024, contestada
pela oposição.“Como nós dissemos que não
reconhecemos o Presidente Maduro e que era um Presidente ilegítimo para
nós, o Presidente legítimo será o Presidente Edmundo González”, afirmou.Questionado
se a Presidente interina, Delcy Rodriguez, antiga vice-presidente de
Maduro, tem condições para fazer a transição, disse não ter dados para
saber “se a solução de governo que existe vai ser capaz de fazer esse
processo ou não”.Os Estados Unidos
lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para
capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e
anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de
poder.Horas depois do ataque, e não sendo
ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, Trump
admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.Perante
o tribunal em Nova Iorque, Maduro e Cilia Flores declararam-se
inocentes das acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento
de capitais. A próxima audiência está marcada para 17 de março. A
comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos
Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.A
UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os
líderes da oposição Maria Corina Machado e Edmundo González, enquanto o
secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar
dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região,
mostrando-se preocupado com a possível “intensificação da instabilidade
interna” na Venezuela.