MNE português insiste no respeito pelo Direito internacional no uso da Base das Lajes pelos EUA
Irão
Hoje 16:56
— Lusa/AO Online
“O que
fizemos foi justamente impor os critérios do Direito internacional”,
afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão de Assuntos
Europeus, questionado pelo PS sobre o uso da Base das Lajes, nos Açores,
pelos EUA. Essa utilização, referiu, só pode ser feita “em resposta a um ataque sofrido, necessário e proporcional e não vise alvos civis”.“Se essas garantias nos forem dadas e puderem ser observadas, estamos tranquilos. Até agora foi isso que aconteceu”, comentou.“Cumpridas
certas regras, certas operações são admitidas, não cumpridas, não são
admitidas. Não andamos a falar de segurança nacional na praça pública
nem ‘voyeurismo’ sobre bases”, insistiu.Rangel
recordou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já afirmou perante o
parlamento que Portugal “não acompanha, não subscreve e não está
envolvido nesta operação, e esta declaração não mudou”. Pelo
PS, João Torres insistiu com uma pergunta já antes colocada ao
primeiro-ministro na Assembleia da República pelo secretário-geral
socialista, José Luís Carneiro: “O Governo português já está em
condições de reconhecer a intervenção dos Estados Unidos e Israel no
Irão como desrespeitadora dos princípios do Direito internacional?”.Rangel
não respondeu diretamente, o que o deputado João Torres disse registar,
defendendo que o Governo deveria assumir esta posição “num mundo em que
o Direito internacional serve para que não impere a lei do mais forte”.Sobre
o acordo de utilização da Base das Lajes, o socialista defendeu que
está a ser cumprido “com a decisão do Governo” de permitir tal uso.“Esse acordo também preveria que o Governo determinasse a não utilização da Base das Lajes”, comentou.Na
resposta, Rangel desafiou o PS a assumir se recusaria o uso da base
aérea pelos EUA e se “deixou de achar que são importantes os laços [de
Portugal] com o parceiro transatlântico”, criticando “maniqueísmos
fáceis e aproveitamentos político-partidários, numa matéria que devia
ser tratada com pinças”.João Torres
sustentou que o PS “tem uma posição muito clara: valida a utilização se
cumpridas as disposições do Direito internacional, exclusivamente em
operações de defesa e também excluindo quaisquer alvos civis”.“Quem
está em falha é o Governo, ao não conseguir sequer reconhecer que o
Direito internacional foi desrespeitado por um aliado, um país amigo,
não obstante a opinião sobre a atual administração [do Presidente Donald
Trump]. É importante afirmar as posições políticas no plano dos
princípios e é aí que o Governo tem falhado”, sublinhou.