MNE português apela a respeito por cessar-fogo e pede a Israel que pare de atacar Líbano
Irão
Hoje 14:49
— Lusa/AO Online
“É preciso uma
grande disciplina na observância do acordo de cessar-fogo”, afirmou
Paulo Rangel, numa conferência de imprensa realizada em conjunto com o
ministro do Comércio da Turquia, Omer Bolat, com quem assinou hoje em
Lisboa um protocolo.Garantindo ter “grande
esperança” que o cessar-fogo traga uma “paz duradoura” ao Médio Oriente
e permita “a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz, Paulo Rangel
admitiu que, para que isso aconteça, “é preciso tempo” para negociar.”Estamos
muito esperançosos que este seja um primeiro passo” para a paz, até
porque o conflito de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão – e que,
entretanto, se alastrou a vários países do Médio Oriente – “não tem
impacto só na região. Os seus efeitos são sentidos em todo o mundo”,
referiu o chefe da diplomacia portuguesa.Face
à necessidade de estabilidade na região, o ministro dos Negócios
Estrangeiros reconheceu ser preciso que Israel também pare de atacar o
Líbano.“Apelo a Israel para que cesse as hostilidades”, disse Rangel.“Compreendo
as questões de segurança em causa”, face aos ataques do grupo xiita
libanês pró-Irão Hezbollah a Israel, mas “é preciso dar um reforço ao
Governo libanês e à sua coragem”, acrescentou.O
Presidente norte-americano, Donald Trump, aceitou, na terça-feira à
noite, suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão,
num “cessar-fogo bilateral”, e após ter recebido de Teerão uma proposta
de paz que considerou “viável”. O acordo,
confirmado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, pretende
possibilitar negociações para um acordo de paz que, segundo as
autoridades iranianas, terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril
(sexta-feira).O anúncio do cessar-fogo
entre o Irão e os Estados Unidos foi feito na noite de terça-feira, uma
hora antes do fim do ultimato feito por Donald Trump, que ameaçou
erradicar “uma civilização inteira” caso Teerão não abrisse o Estreito
de Ormuz. Declaração que Paulo Rangel
criticou hoje, garantindo que “Portugal nunca acompanhará nenhuma
escalada, nem retórica nem militar” e defendendo que a ameaça “não
ajudou o processo”.O cessar-fogo incluiu o
Líbano, segundo o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que
liderou a mediação deste acordo, mas o seu homólogo israelita, Benjamin
Netanyahu, rejeitou essa possibilidade e manteve os ataques aéreos
contra o país vizinho.Também o ministro do
Comércio da Turquia se congratulou com o cessar-fogo acordado,
lembrando que o seu país faz parte do grupo de mediadores.“Estamos
muito contentes com o cessar-fogo. A Turquia, o Paquistão e o Egito
trabalharam arduamente [para o conseguir]”, avançou Omer Bolat.“Esperamos
que estes 15 dias sejam suficientes para os dois lados chegarem a um
acordo para uma paz mais duradoura”, acrescentou.Os
dois ministros – português e turco – estiveram hoje de manhã reunidos
na quinta Comissão de Relações Económicas entre os dois países, tendo
assinado um acordo que visa expandir as relações comerciais.Segundo
o ministro dos Negócios Estrangeiros português, a relação comercial
entre os dois Estados “melhorou extraordinariamente nos últimos anos” e
os contactos têm crescido. “Este é momento
extraordinário”, disse Rangel, lembrando que há 42 voos semanais entre
Portugal e Turquia, o que “é altamente significativo”.A
Turquia, “um grande parceiro da União Europeia”, tem “um potencial tão
grande que os dois governos - talvez para comemorar os 100 anos de
relações diplomáticas que se assinalam este ano – querem expandir a sua
relação comercial”, avançou o ministro português.O
aniversário foi também referido pelo ministro turco, que disse querer
aprofundar a relação em várias vertentes, nomeadamente nas áreas das
energias renováveis, construção de navios, turismo e transportes.