MNE diz que ameaças russas não amedrontam Portugal
Ucrânia
8 de mar. de 2022, 15:17
— Lusa/AO Online
Santos
Silva falava aos jornalistas no Ministério dos Negócios Estrangeiros,
em Lisboa, onde recebeu o ministro das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil, Carlos Alberto França, com as
comemorações do bicentenário da independência do Brasil na agenda, assim
como a guerra na Ucrânia.“Essas
ameaças [da Rússia e do presidente Putin] não nos amedrontam nem nos
intimidam. Nós decidimos as nossas posições em concertação, quer no
quadro das Nações Unidas, quer no quadro da União Europeia e da OTAN
[Organização do Tratado do Atlântico Norte - NATO], e fazemos valer
essas decisões que tomamos autonomamente nas organizações a que
pertencemos”, disse.A
Rússia elaborou uma lista de países "hostis", incluindo Portugal,
enquanto Estado-membro da União Europeia, juntamente com Estados Unidos,
Reino Unido, Austrália e Canadá, entre outros, aos quais as empresas
russas poderão pagar dívidas em rublos, moeda que desvalorizou 45% desde
janeiro.Sobre
as sanções à Rússia, no seguimento da invasão de 24 de fevereiro à
Ucrânia, Santos Silva recordou que estas foram as que foram aprovadas,
designadamente no quadro da União Europeia (UE).Essas
sanções, recordou o ministro, foram aprovadas em três momentos
diferentes, constituindo três pacotes diferentes, sendo sanções de
natureza política, dirigidas a um conjunto de pessoas russas, e outras
de caráter económico.
Face a um eventual corte no abastecimento do gás e petróleo russo à
Europa, Augusto Santos Silva recordou que há vários anos que Portugal,
com os seus sucessivos governos, tem vindo a fazer o seu trabalho “no
sentido de tornar Portugal casa vez menos dependente de energia fóssil”.
“Neste
momento, da eletricidade consumida em Portugal, 60% já decorre de fontes
renováveis de energia produzidas localmente: energia hídrica, eólica e
solar”, prosseguiu.Em
relação ao gás e petróleo, o ministro explicou que Portugal importa-os
de “um conjunto diversificado de países, situado nas Américas, em África
e na Europa”.“Em resultado dessa política de diversificação, a nossa exposição atual ao gás e petróleo russo é muito baixa”, frisou.
E adiantou: “Não temos consequências diretas, não somos um país de
grande exposição à energia proveniente da Rússia. Fazemos parte de uma
UE muito dependente e, dentro da UE procuramos fazer valer a importância
absolutamente estratégica de fazer diminuir a dependência da Europa
face à Rússia em matéria de energia”.
Nesse domínio, o ministro disse que a estratégia de Portugal passa por
“diversificar as fontes e as rotas de abastecimento de energia à
Europa”, o que “passa por aumentar as interconexões ente Portugal e
Espanha e entre Portugal e Espanha e o resto da Europa”.
“Nós neste momento precisamos de aumentar o gás que recebemos de outras
origens que não a Rússia. Uma das duas origens possíveis e exequíveis
são os Estados Unidos e os países africanos”, afirmou.
“O gás que vem, vem por mar, nos navios que aportam nos portos
europeus, havendo na Península Ibérica o mais habilitado para os
receber, de águas profundas (Sines). De Sines, o gás pode ir por mar ou
por terra. Por terra precisa de um gasoduto. Neste momento há duas
interconexões de gás entre Portugal e Espanha e queremos construir uma
terceira e queremos que haja mais uma interconexão entre Espanha e a
França, para justamente o gás que chega à Europa pela Península Ibérica
possa chegar à Europa central e de leste”, referiu.E
sublinhou: “Nos últimos dias tem-se tornado claro para muita gente que
isto não é preparar o futuro, é responder ao nosso presente mais
imediato”.