MNE disponível para ser ouvido no parlamento sobre caso da partilha de dados
11 de jun. de 2021, 10:45
— Lusa/AO Online
“O
ministro está sempre disponível para responder no Parlamento e procurar
esclarecer os assuntos, no que disserem respeito às competências do MNE
[Ministério dos Negócios Estrangeiros]”, disse, em resposta enviada à
Lusa, o gabinete do ministro.O presidente
do PSD, Rui Rio, anunciou que vai chamar o presidente da Câmara de
Lisboa [Fernando Medina] e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos
Silva, ao parlamento para prestarem explicações sobre a partilha de
dados pessoais de ativistas russos.Na
mesma resposta, o ministério liderado por Augusto Santos Silva
acrescentou que de acordo com o comunicado da Câmara de Lisboa sobre
este caso, a “questão não parece caber na esfera de competências do
MNE”.“Contudo, veremos com cuidado se há algum aspeto que exija ou aconselhe a nossa intervenção”, destaca ainda.Em
declarações à RTP, no Funchal, Augusto Santos Silva já tinha referido,
acerca deste caso, que a partilha de dados “era um procedimento que era
errado e foi corrigido”.“Vi a explicação
apresentada pela Câmara [de Lisboa], verifiquei que quando o
procedimento foi identificado o erro foi corrigido e só me resta
congratular-me com este facto”, frisou.O
ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda esperar que “as
autoridades russas que receberiam indevidamente os dados cumpram as leis
internacionais de proteção de dados e os apaguem”.O
caso dos ativistas russos reporta-se a 18 de janeiro, quando foi pedida
autorização para uma concentração em solidariedade com o opositor russo
Alexei Navalny, detido na Rússia, com vista à sua libertação.Entretanto,
a Câmara de Lisboa anunciou hoje que alterou os procedimentos internos
para manifestações por forma a salvaguardar dados pessoais de
manifestantes, após uma queixa de ativistas russos que viram os seus
dados partilhados com a Embaixada da Rússia."Foram
alterados os procedimentos internos desde 18 de abril e, nas
manifestações subsequentes para as quais foi recebida comunicação
(Israel, Cuba e Angola) não foram partilhados quaisquer dados dos
promotores com as embaixadas", justificou a CML em comunicado.O
presidente da Câmara Municipal de Lisboa pediu hoje “desculpas
públicas” pela partilha de dados de ativistas russos em Portugal com as
autoridades russas, assumindo que foi “um erro lamentável que não podia
ter acontecido”.“Quero fazer um pedido de
desculpas público aos promotores da manifestação em defesa dos direitos
de Navalny, da mesma forma que já o fiz à promotora da manifestação.
Quero assumir esse pedido de desculpas público por um erro a todos os
títulos lamentável da Câmara de Lisboa”, disse Fernando Medina numa
conferência de imprensa sobre envio à Rússia de dados pessoais de três
ativistas russos.