Missão da ONU no Iraque apela a “soluções urgentes para crise” política
3 de ago. de 2022, 15:33
— Lusa/AO Online
“É mais urgente que nunca um
diálogo significativo entre todas as partes iraquianas. Os recentes
acontecimentos demonstraram o risco de uma rápida escalada num clima
político tenso”, advertiu em comunicado a missão de assistência da ONU
para o Iraque (UNAMI). “Apelamos a todos os atores (…) que cheguem a acordo de imediato sobre as soluções”, acrescentou a UNAMI. A
crise política interna agravou-se no sábado, com a ocupação do
parlamento pelos apoiantes do líder xiita Moqtada Sadr, em protesto
contra a candidatura de um novo chefe de Governo proposto pelas facções
rivais pró-Irão. Centenas de partidários de Sadr continuavam a ocupar o
parlamento, indicou a agência noticiosa AFP. Na
quarta-feira, a corrente “sadrista” apelou aos apoiantes para se
retirarem do hemiciclo e de uma outra grande sala do parlamento,
sugerindo que até sexta-feira acampassem frente ao edifício e nos
jardins circundantes. Numa tentativa para
ultrapassar a crise, o primeiro-ministro Mustafa al-Kazimi, que gere os
assuntos correntes, propôs um “diálogo nacional”. A
situação política no Iraque encontra-se num impasse desde outubro de
2021. Vários meses de contactos e discussões não permitiram e eleição de
um novo Presidente da República e de um primeiro-ministro. “O
Iraque não pode permitir o envolvimento num diálogo sem soluções”,
sublinhou a UNAMI. “O Iraque está confrontado com uma longa lista de
problemas internos: necessita desesperadamente de uma reforma económica,
de serviços públicos eficazes, e de um orçamento federal”, prosseguiu a
missão da ONU. Na ausência de um novo
Governo, o Iraque – que garante 90% das receitas através da exportação
de petróleo – ainda não aprovou o orçamento para 2022. O
Governo está actualmente limitado às disposições do orçamento 2021 –
estabelecido sobre um preço do barril de crude muito inferior ao fixado
actualmente no mercado –, e que implicam importantes restrições nas
despesas públicas. Para enfrentar as
necessidades mais urgentes, o parlamento votou em junho uma lei de
financiamento de urgência. Esta legislação inclui a compra de energia no
exterior, e ainda de cereais para garantir a “segurança alimentar” do
país.