Missão da ONU anuncia retirada de 113 trabalhadores humanitários do Darfur
28 de abr. de 2023, 17:26
— Lusa
Estes
trabalhadores, pertencentes a várias organizações humanitárias, foram
transferidos para o Chade, como confirmou o governador do Darfur do
Norte, Nimir Mohamed Abdelrahman, em declarações à agência noticiosa
DPA.A operação inclui pessoal do Programa
Alimentar Mundial (PAM), do Fundo das Nações Unidas para a Infância
(Unicef) e da própria UNITAMS, bem como do Conselho Norueguês para os
Refugiados.A UNITAMS agradeceu a França a sua ajuda na operação. "Muito
obrigado à França pela retirada dos membros do pessoal da ONU e de
outras organizações de El Fasher", declarou a UNITAMS num comunicado,
acrescentando que o representante especial do secretário-geral da ONU
para o Sudão, Volker Perthes, "permanecerá no país com uma pequena
equipa da UNITAMS"."Esperamos poder retomar em breve as nossas atividades no Darfur e em todo o Sudão", acrescentou.O
Sudão entrou hoje no décimo quarto dia consecutivo de confrontos entre o
exército e as RSF, um conflito que já fez mais de 500 mortos e mais de
4.000 feridos e obrigou milhares de sudaneses a deslocarem-se para zonas
mais seguras do país ou a refugiarem-se em nações vizinhas como o Sudão
do Sul, o Egito ou o Chade.As duas partes
envolvidas no conflito iniciaram hoje uma trégua de 72 horas mediada
pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita para facilitar a retirada de
estrangeiros no Sudão e abrir corredores seguros para a entrada de ajuda
humanitária. Nos últimos dias, apesar de terem sido anunciadas tréguas,
têm-se verificado combates de baixa intensidade.Vários
países já concluíram as operações de retirada dos seus cidadãos e
pessoal diplomático no Sudão, mas outros continuam o processo por terra,
mar e ar. Vinte portugueses que pretendiam deixar o Sudão já foram
retirados no país, informou na quarta-feira, em comunicado, o Ministério
dos Negócios Estrangeiros de Portugal.Pelo
menos 512 pessoas foram mortas e 4.193 ficaram feridas desde o início
dos combates, principalmente em Cartum e Darfur (oeste), divulgou na
quarta-feira o Ministério da Saúde sudanês.Os
combates seguiram-se a semanas de tensão sobre a reforma das forças de
segurança nas negociações para a formação de um novo governo de
transição. Ambas as forças estiveram por trás do golpe conjunto que
derrubou o executivo de transição do Sudão em outubro de 2021.