Misericórdias saúdam reforço de cuidados continuados
29 de dez. de 2017, 10:19
— Lusa/AO online
Segundo
um despacho do Governo, o Instituto da Segurança Social (ISS) e as
Administrações Regionais de Saúde (ARS) vão celebrar contratos-programa
com 45 entidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
(RNCCI) que darão lugar a 538 novas respostas de internamento em 2018.“É
com grande satisfação que a União das Misericórdias Portuguesas vê a
saída deste despacho”, que já estava em negociação “há meses largos”,
por “duas razões”, disse à agência Lusa Manuel Caldas de Almeida, membro
do Secretariado Nacional da UMP responsável pela área da saúde e dos
cuidados continuados.Por
um lado, porque “responde a uma necessidade das pessoas, porque há
falta de camas em todo o país”, e, por outro, “dá sustentabilidade às
unidades que já estão a funcionar”.“Uma
das coisas que nós percebemos com estes anos de trabalho é que foi um
êxito este esquema de contratação envolvendo a Segurança Social, a Saúde
e os prestadores” (misericórdias, Instituições Particulares de
Solidariedade Social e privados), disse o responsável.Para Manuel Caldas de Almeida, “há um terceiro passo” que seria necessário - ajustar os preços aos custos das unidades.“De facto, com os preços que nos estão a pagar é muito difícil gerir estas unidades”, que “precisam de volume”.“O
que os ministérios vêm fazer agora é acrescentar camas a unidades que
já existem”, o que “é fundamental” para serem sustentáveis tecnicamente e
financeiramente”.Segundo
Caldas de Almeida, a grande preocupação são as “unidades de poucas
camas”, porque “são francamente insustentáveis” financeiramente, mas
também tecnicamente.Questionada
pela Lusa se há filas de espera para estas respostas, o responsável
disse que sim, principalmente para as unidades de longa duração na
região de Lisboa e Vale do Tejo.“Ainda
há carências em todo o país”, mas há algumas zonas, como a região
centro, que tem “uma cobertura francamente melhor” do que em Lisboa e
Vale do Tejo.“É uma necessidade crescente” porque a população está mais dependente e os hospitais referenciam cada vez mais”, rematou. O
despacho autoriza o ISS e as ARS a assumirem "os compromissos
plurianuais no âmbito dos contratos-programa a celebrar com as entidades
integradas ou a integrar a RNCCI, no âmbito do funcionamento ou da
implementação desta rede".Os
contratos abrangerão 45 instituições, entre as quais Misericórdias e
Instituições Particulares de Solidariedade Social, de várias regiões do
país.