Misericórdias dos Açores reivindicam aumento das comparticipações do Governo Regional
Crise/Inflação
14 de out. de 2022, 17:23
— Lusa/AO Online
"Desde a
pandemia, já a partir de 2020, o combustível aumentou cerca de 30%, o
gás e a eletricidade 5%, a alimentação 13%, os consumíveis e o material
clínico 12%, o oxigénio 20%. São valores muito elevados, motivados pelo
contexto do covid-19 pandemia e agora agravado pela inflação", disse
Bento Barcelos. O responsável falava em
declarações à agência Lusa a propósito do XV Congresso Insular das
Misericórdias dos Açores e da Madeira, que decorre a partir de hoje, e
até domingo, na ilha do Faial, dedicado ao tema “Sustentabilidade das
Misericórdias: Caminhos para o Futuro”, evento promovido pela União das
Misericórdias Portuguesas (UMP)."Tal como
aconteceu no continente entre a União das Misericórdias Portuguesas e o
Governo da República, esperamos que na Região a União Regional esteja
muito em breve em diálogo com o Governo, para que se possa também
acompanhar um reforço do financiamento dos acordos de cooperação. E tudo
aponta neste sentido", sublinhou o responsável.Nos Açores existem 23 Misericórdias nos 19 concelhos da Região. Há concelhos como o de Angra do Heroísmo, na Terceira, que conta com três Misericórdias.Bento
Barcelos garantiu que aquelas instituições de solidariedade social
estão a desenvolver nos Açores a sua atividade no âmbito com
"normalidade", mas "sentindo de uma forma muito preocupante e incisiva"
um conjunto de contextos que "têm vindo a agravar a componente do seu
financiamento, da sua estabilidade orçamental e financeira e da sua
sustentabilidade" "Depois da fase mais
aguda da crise sanitária de covid-19, que criou uma perturbação muito
elevada, mas que as Misericórdias conseguiram ter a capacidade de se
adaptar às exigências provocadas pela pandemia, que implicaram medidas
cautelares e preventivas e planos de contingência, apareceu agora esta
crise provocada pelo aumento de inflação", assinalou.O
presidente da União das Misericórdias dos Açores disse que o "fenómeno
inesperado" do aumento do custo de vida, provocado pela guerra na
Ucrânia, tem implicações nos custos de funcionamento das valências, que
têm aumentado de "forma exponencial"."A
sua missão social está a ser cumprida, mas o impacto do processo
inflacionário, em cima de uma pandemia que ainda se faz sentir, tem
efeitos enormes", vincou Bento Barcelos, lembrando as várias valências
das Misericórdias, desde a creche e jardim infância, até ao apoio aos
idosos, no domicílio e nas estruturas residenciais.Bento Barcelos disse que aquelas instituições estão, por isso, na expectativa para um reforço de financiamento.O
Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira vai
centrar-se em dois temas estratégicos: ‘Sustentabilidade no Setor
Social’ e ‘As Misericórdias e as Políticas Sociais no Futuro’.O
objetivo é debater os desafios futuros que as Santas Casas enfrentam,
não só para continuarem a garantir respostas sociais eficientes à
população, mas também para poderem qualificar os seus recursos humanos,
lê-se num comunicado da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).
O encontro vai refletir ainda sobre os desafios do envelhecimento em
Portugal e sobre a proposta do novo modelo de serviço de apoio
domiciliário, adequado às características sociais e geográficas do país e
às necessidades das novas gerações de idosos.A par do Congresso irão decorrer várias iniciativas para celebrar os 500 anos da Santa Casa da Misericórdia da Horta.