Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reúnem-se de emergência
9 de out. de 2023, 12:07
— Lusa/AO Online
“À luz do que
aconteceu recentemente entre Gaza e Israel, o alto-representante [da UE
para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell,] convocou uma reunião
urgente e extraordinária dos ministros”, anunciou o porta-voz da
Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros, Peter Stano, em
conferência de imprensa, em Bruxelas.A
reunião vai realizar-se na terça-feira. O ministro dos Negócios
Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, vai participar por
videoconferência.O porta-voz da Comissão
acrescentou que a reunião vai realizar-se parcialmente em Muscat,
capital de Omã, onde Josep Borrell está de momento a participar no
Conselho de Cooperação UE-Golfo: “Uma parte dos ministros dos
Estados-membros já lá está fisicamente, esses participarão
presencialmente, os outros por videoconferência.”O
objetivo do encontro extraordinário é “discutir o que aconteceu” no
último fim de semana, perceber as "implicações e consequências" do
agravamento das tensões e o que é que os 27 podem fazer daqui em diante,
comentou Peter Stano.Questionado sobre a
possibilidade de haver dinheiro da UE destinado à população palestiniana
estar a ser utilizado para financiar o Hamas, o porta-voz da Comissão
Eric Mamer garantiu que “não há” e que na reunião de quarta-feira os
ministros dos Negócios Estrangeiros “vão verificar toda a situação”, do
conflito à ajuda humanitária prestada pelos 27.“Já
há discussões em curso, mas a UE não financia o Hamas, diretamente ou
indiretamente”, referiu o porta-voz, lembrando que a organização faz
parte da lista de organizações terroristas do bloco comunitário.Em
relação à retaliação israelita, que provocou um elevado número de
vítimas civis, Peter Stano acrescentou que “Israel tem o direito de se
defender ao abrigo do direito internacional” e que o “Hamas também está a
prejudicar a população palestiniana”.“Isto
só vai levar ao agravamento das tensões”, advogou o porta-voz da
Comissão, acrescentando que se as duas partes não voltarem à mesa de
negociações e ao diálogo, o “ciclo de violência vai perpetuar-se”.Já
sobre as alegações de que o Irão poderá ter financiado o ataque
perpetrado pelo Hamas, Peter Stano comentou que “não compete à UE
apontar o dedo” e exortou para a necessidade de “assegurar que o ataque
do Hamas é parado”.