Ministros de Portugal, Espanha e Itália pedem rendimento mínimo europeu
Covid-19
8 de mai. de 2020, 10:52
— Lusa/AO Online
A proposta, publicada hoje no jornal
Público, é defendida num texto conjunto assinado pela ministra do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, Ana Mendes
Godinho, pelo vice-presidente do Governo de Espanha, Ministro dos
Direitos Sociais e Agenda 2030, Pablo Iglesias, e pela ministra do
Trabalho e Políticas Sociais de Itália, Nunzia Catalfo."É
necessário assegurar que todas as pessoas tenham garantida a satisfação
das suas necessidades básicas. Para isso, precisamos de um sistema
comum de rendimento mínimo que permita combater a pobreza e a exclusão
social numa perspetiva ambiciosa e integrada", referem os governantes no
artigo com o título "Rumo a um rendimento mínimo europeu".Os
três subscritores do artigo dizem que a União Europeia carece de um
quadro comum de rendimento mínimo, que não esteja limitado a níveis de
sobrevivência ou ao rácio de pobreza calculado a partir do rendimento
médio europeu, mas que seja antes um quadro juridicamente vinculativo,
que permita que todos os Estados membros estabeleçam um rendimento
mínimo, adequado e adaptado ao nível e ao modo de vida de cada país."Apoiamos
a abordagem que tem sido feita desta crise, que assenta no facto de que
ninguém fica para trás e que presta particular atenção aos grupos mais
vulneráveis. Por isso, apoiamos o estabelecimento de uma iniciativa que
permita apoiar a generalização de sistemas de rendimento mínimo dignos e
adequados em todos os Estados-membros", defendem.Os
três ministros frisam que a Europa enfrenta atualmente o "maior desafio
desde a Segunda Guerra Mundial": combater a pandemia de covid-19,
salvando o maior número possível de vidas.Os
impactos sociais e económicos desta crise, escrevem, começam a fazer-se
sentir ao nível nacional e europeu, com particular enfoque para o
mercado de trabalho, com impactos profundos na vida dos cidadãos."Este
é o momento para a União Europeia olhar para o futuro e prosseguir o
seu programa, tendo em vista a apresentação de um plano de ação para a
implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e, assim, lançar um
'escudo social europeu'", afirmam.Os três
ministros destacam os "grupos mais vulneráveis" e a necessidade de
medidas "ambiciosas e corajosas" de solidariedade para evitar o risco de
pobreza e exclusão social. "Atualmente, a
Europa tem mais de 113 milhões de pessoas em risco de pobreza e
exclusão social e 25 milhões de crianças que vivem abaixo do limiar da
pobreza. Torna-se necessário adotar medidas urgentes para evitar o
aumento desse número e, ao invés, contribuir para a sua redução",
afirmam.Para os governantes que assinam
o texto, a situação é ampliada pela pandemia de covid-19 e, por
isso, exige soluções globais e integradas, para além de todas as medidas
nacionais em curso. "A Europa deve
unir-se em torno da solidariedade. É necessária uma resposta europeia
coordenada para evitar uma nova crise económica e social como a que
vivemos após a crise de 2008", dizem no texto.Como
enquadramento político e legislativo, o artigo destaca o Pilar Europeu
dos Direitos Sociais, aprovado em 2017 pelo Parlamento Europeu, o
Conselho e a Comissão Europeia, durante a Cimeira Social que se realizou
em Gotemburgo.No Princípio 14 desse
documento, lembram os governantes, refere-se que qualquer pessoa que não
disponha de recursos suficientes tem direito a prestações de rendimento
mínimo adequadas que lhe garantam um nível de vida digno em todas as
fases da vida, bem como a um acesso eficaz a bens e serviços de apoio.
Para as pessoas aptas para o trabalho, as prestações de rendimento
mínimo devem ser conjugadas com incentivos para (re)integrar o mercado
de trabalho.Os três subscritores, membros
dos governos de Lisboa, Madrid e Roma, recordam que "Portugal foi
pioneiro a este nível, tendo lançado em 1996 o Rendimento Mínimo
Garantido, atualmente designado Rendimento Social de Inserção".