Ministro responsabiliza eSPap por atraso na plataforma de reembolsos
Hoje 11:35
— Ana Carvalho Melo
O ministro das Infraestruturas e Habitação responsabilizou ontem a
Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (eSPap) pela
demora na operacionalização da plataforma de reembolso do antigo
Subsídio Social de Mobilidade, agora denominado Mecanismo de
Continuidade Territorial.“O Governo não está a fazer veto de gaveta,
não está a protelar, irá executar ipsis verbis aquilo que foi decidido
nesta assembleia. De notar que não é competência do Ministério das
Infraestruturas e Habitação e, portanto, o interlocutor que têm hoje à
vossa frente não é quem tem de dirigir essas questões, mas eu respondo
também em nome do Governo. Quem está a executar a nova plataforma - e,
como sabem, as alterações legislativas foram profundas e, portanto, tem
de ser praticamente uma nova plataforma - é a eSPap. A eSPap está a
executar a nova plataforma, que irá executar ipsis verbis aquilo que foi
aprovado pelo Partido Socialista, pelo Chega e por mais deputados. E,
portanto, não vamos fugir a essa responsabilidade democrática”, afirmou
Miguel Pinto Luz, que foi ontem ouvido na Comissão de Infraestruturas,
Mobilidade e Habitação.Em resposta aos deputados, o ministro afirmou
ainda que nenhum açoriano ou madeirense ficará sem o apoio do Mecanismo
de Continuidade Territorial.“Não há nenhum madeirense nem nenhum
açoriano que vai ficar a perder um euro. Tudo será pago com retroativos.
Tudo, claro, naturalmente, tem de ser assim”, afirmou.Em março, o
Governo da República definiu um novo modelo de atribuição, criando uma
plataforma eletrónica para que os passageiros dos Açores e da Madeira
possam fazer o pedido de reembolso das passagens de forma digital.No
entanto, têm sido relatados diversos problemas no acesso e na
utilização desta plataforma, pelo que desde o início do mês, o pagamento
do Mecanismo de Continuidade Territorial passou a ser realizado pelos
CTT, em paralelo com a plataforma eletrónica já implementada, por um
período de um ano.Também no pagamento de reembolsos pelos CTT, os
cidadãos estão a encontrar dificuldades. Ao Açoriano Oriental chegaram
relatos de cidadãos que não estão a conseguir realizar o reembolso
quando o valor total da passagem excede o limite de 600 euros, tal como
está previsto.Questionado pelo Açoriano Oriental sobre esta
situação, fonte oficial dos CTT revelou que “quanto a situações ou
procedimentos cuja operacionalização se encontre suspensa ou ainda não
tenha sido iniciada, os CTT aguardam orientações da entidade responsável
pela gestão do Mecanismo de Continuidade Territorial (MCT), que
permitam dar início ao respetivo processamento e reembolso nas Lojas
CTT”.E acrescenta que “os CTT continuam a assegurar, nas suas lojas,
o serviço de processamento dos pedidos de reembolso do Subsídio de
Mobilidade sem constrangimentos operacionais, efetuando os reembolsos de
acordo com a legislação em vigor”.Também ontem na audição do
ministro das Infraestruturas e Habitação , o deputado socialista
Francisco César criticou o “caos” instalado na aplicação do novo regime,
acusando o Governo de alimentar a confusão através de declarações
contraditórias entre diferentes membros do Executivo.“O Governo
procura sempre um culpado, mas a verdade é que a lei é clara e prevê
expressamente um período transitório de um ano durante o qual os CTT
podem e devem continuar a assegurar os reembolsos”, afirmou, citado em
nota enviada à comunicação social.O deputado socialista recordou
ainda que, apesar da entrada em vigor da nova legislação, os açorianos
continuam sem conseguir receber os reembolsos através dos CTT, situação
que considera “inaceitável”, sobretudo quando “o próprio Governo admite
publicamente dificuldades de coordenação entre ministérios e até entre a
República e os Governos Regionais”. Em entrevista à rádio e
televisão pública, Paulo Moniz, deputado do PSD na Assembleia da
República, afirmou que o Governo da República já tinha condições, desde o
mês de junho, para que os residentes nos Açores pagassem apenas o valor
máximo de 119 euros pelas viagens para o continente.De acordo com
as suas declarações, este modelo só não entrou em vigor devido à
“turbulência” causada pelas recentes alterações legislativas ao subsídio
social de mobilidade propostas pelo PS e pelo Chega. O deputado
assegurou ainda ter conhecimento detalhado do modelo que estava
preparado, mas não revelou os seus pormenores técnicos.