Ministro recusa abolir taxa de 25 euros para pedidos de reapreciação
Exames
20 de jul. de 2026, 15:03
— Lusa/AO Online
"Os 25
euros têm de se manter. É uma taxa moderadora", defendeu o ministro
durante uma conferência de imprensa no dia em que começam as
candidaturas do concurso nacional de acesso ao ensino superior e na
véspera do arranque da 2.º fase dos exames nacionais.O
representante dos diretores escolares, Filinto Lima, tinha pedido ao
início do dia que esse valor fosse abolido tendo em conta os problemas
identificados ao longo do processo de classificação dos exames
nacionais.Este foi o primeiro ano em que
os exames nacionais do ensino secundário, realizados por cerca de 166
mil alunos, foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou
falhas técnicas, obrigando o Ministério da Educação a rever o
calendário inicialmente previsto.As pautas
dos mais de 300 mil exames nacionais começaram a ser afixadas apenas na
sexta-feira à noite, mas inicialmente sem todas as classificações,
devido a falhas identificadas pelo Júri Nacional de Exames.Segundo
Fernando Alexandre, as situações foram corrigidas e até às 11h30 da
manhã, pouco mais de metade das provas já tinham sido entregues aos
alunos - 180 mil num universo de 290 mil - para poderem decidir se
queriam pedir reapreciação das provas.A
propósito do valor cobrado para requerer a reapreciação das provas –
devolvido ao aluno apenas se a reavaliação resultar numa subida da nota –
o governante sublinhou que essa taxa sempre existiu.“Vai-se
manter porque o aluno tem todas as condições para pedir quando tem
evidência de que, de facto, há uma discrepância”, acrescentou.Fernando
Alexandre explicou ainda que, através da plataforma em que é
disponibilizada a cópia da prova, os alunos vão poder sinalizar
eventuais erros na digitalização do seu exame. O
prazo de dois dias úteis para formalizar o pedido de reapreciação só se
inicia “a partir do momento em que é dado conhecimento ao aluno da
classificação resultante da desconformidade”, esclareceu o ministro.Questionado
sobre a possibilidade de um aumento significativo do número de pedidos
face aos anos anteriores – em que a taxa de reapreciações rondou os 2% -
Fernando Alexandre disse que “o sistema terá, necessariamente, que ter
condições para garantir os classificadores para responder a esses
pedidos”.Ainda assim, o ministro não
antecipou dificuldades no recrutamento de professores para reavaliar as
provas, justificando que a falta de docentes, apontada, na semana
passada, pelo Júri Nacional de Exames (JNE) resultou, sobretudo, de “um
sistema que tem de ser melhorado”.“A forma
como os classificadores são alocados não é eficiente”, considerou,
referindo que as equipas do Ministério da Educação identificaram
centenas de professores classificadores que, apesar de terem itens
atribuídos, não realizaram quaisquer classificações e não foram
substituídos atempadamente.“Por isso, eu
não tenho grandes dúvidas de que não vamos ter falta de professores
disponíveis”, acrescentou, referindo-se igualmente à segunda fase dos
exames nacionais, que arranca na terça-feira, e cujas provas serão
classificadas através do mesmo modelo.Apesar
dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério decidiu manter os
calendários do concurso nacional de acesso ao ensino superior, bem como
da segunda fase dos exames.Fernando
Alexandre anunciou, por outro lado, que os alunos prejudicados poderão
realizar exames nacionais numa época especial que se realizará em
setembro, podendo depois concorrer ao ensino superior na segunda fase do
concurso.