Ministro espera que Centro para a Defesa do Atlântico veja "luz do dia" ainda em 2019
14 de jun. de 2019, 17:37
— Lusa/AO Online
A
previsão foi feita por Gomes Cravinho numa conferência no Centro de
Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, sigla em inglês), em
Washington, onde foi convidado a falar sobre os desafios da NATO e da
União Europeia em matéria de defesa e segurança.
O ministro português explicou aos convidados do 'think tank' que esta
ideia de usar instalações da base das Lajes, na ilha açoriana, onde os
EUA ainda têm presença militar, visa, entre outros objetivos, promover
uma capacidade marítima de segurança para os países do golfo da Guiné. Gomes
Cravinho exemplificou que, “em 2018, 40% dos incidentes de pirataria em
todo o mundo tiveram lugar no Golfo da Guiné” e que os números do
primeiro trimestre do ano apontam que “a percentagem está a aumentar”.A
zona é uma rota importante no comércio mundial, argumentou, e os países
da região “estão a enfrentar grandes dificuldades em controlar as suas
águas”. É um problema, disse, que
necessita de “uma aproximação regional", em que este comando pretende
ajudar a responder, e para o qual se espera ter apoios por parte de
outros países, como Estados Unidos. Em 26
de abril de 2018, o Governo português aprovou uma resolução que autoriza
a criação do Centro para a Defesa do Atlântico na Ilha Terceira, nos
Açores, focado “no domínio da segurança marítima, mas igualmente com um
alcance nos domínios terrestre, aéreo e da ciberdefesa”.A
ideia com a implementação do centro é "colmatar lacunas existentes no
espaço Atlântico e contribuir para o reforço da afirmação de Portugal
como produtor de segurança" junto de instituições como a União Europeia,
a ONU, a NATO, aliados como os EUA e da comunidade internacional em
geral.Numa visita às Lajes, em março desse
ano, o antecessor de Cravinho no Ministério da Defesa, José Azeredo
Lopes, afirmou esperar que “a institucionalização” do centro “possa
ocorrer algures perto do fim da legislatura”, depois do verão de 2019, o
que coincide com o calendário referido pelo ministro português hoje, em
Washington.“Vai ser uma estrutura que é
promovida por Portugal, que só vai poder existir tal como foi concebida
se for claramente internacional e será claramente internacional se
atrairmos os principais Estados que têm capacidade para falar sobre a
segurança do Atlântico”, frisou Azeredo Lopes.O
então ministro realçou ainda “o facto de a NATO ter vindo recentemente a
olhar para o Atlântico”, que estava “remetido para um plano menos
importante”. “Questões securitárias do
norte do Atlântico, questões ligadas à segurança marítima, especialmente
no Golfo da Guiné, convocam de novo os estados para olharem para este
oceano e, necessariamente, para os Açores, pela crucial posição
geopolítica e de centralidade atlântica que os Açores têm”, observou.