Ministro dos Negócios Estrangeiros quer que Europa faça "renascer o Atlântico”
4 de jul. de 2024, 11:39
— Lusa/AO Online
Depois
de uma intervenção na conferência Ágora Jacques Delors sobre União
Europeia dirigida a jovens de várias nacionalidades, o governante
detalhou que entre os “desafios enormes” dos 27 está “garantir a paz na
Europa”, através da manutenção do “apoio decisivo” à Ucrânia e do
“modernizar toda a indústria de defesa europeia”.Entre
os desafios está também a “preparação do alargamento a leste, que
obviamente também está dependente de se encontrar uma solução de paz na
questão da Ucrânia”. “Aí temos também os Balcãs que já não estão
afetados por essa questão da guerra. Portanto, também temos que ter em
consideração isso”, declarou aos jornalistas.Para
Rangel “perante o aparecimento, o reforço e a centralidade que tem hoje
o Indo-Pacífico, é preciso fazer renascer o Atlântico”, pelo que a
Europa deve fazer uma parceria “substantiva, substancial, com a África e
com a América do Sul”. “E com a América do Norte, melhores ou piores
relações, elas são sempre muito boas, nós é que sentimos todas as
oscilações, podemos fazer muito mais, mas aí já há uma grande coesão”,
declarou.O chefe da diplomacia portuguesa
explicou que uma nova centralidade do Atlântico não tem que ser “a
principal”. “Queremos é que não haja um mundo unipolar, que está apenas
centrado no Indo-Pacífico”, explicou o governante, que, notando estar a
falar em abstrato sobre as eleições presidenciais norte-americanas de
novembro, considerou “não ser catastrofista” uma eventual mudança de
ciclo.“O que acontece ciclicamente é haver
administrações, presidentes mais isolacionistas, que obviamente para
nós é menos bom”, o que traduz fases em que cooperação transatlântica
“está a um nível inferior”, mas o que não significa deixarem de estar
num “nível alto, comparando com aquilo que são as relações a nível de
globo entre diferentes blocos”. “Quando elas são mais abertas ao exterior evidentemente que isso dá uma força enorme à parceria transatlântica”, defendeu.Assim,
“eu não sou, digamos, catastrofista, mas obviamente para nós não é
indiferente que os Estados Unidos da América estejam mais abertos à
cooperação global ou estejam mais centrados nas suas dinâmicas internas.
Isso não é indiferente”, afirmou o ministro, recusando uma “visão
catastrofista” porque as relações tem-se sempre mantido num “nível
muito, muito satisfatório”.Às perguntas
colocadas pelos jovens sobre relações com a China, Paulo Rangel afirmou
as “muito boas relações” entre Portugal e o país asiático, sobre o qual
deve haver, num “panorama global”, “de-risking” (redução de riscos), mas
não “decoupling” (dissociação), recordando como a pandemia COVID-19
demonstrou os riscos das ruturas de cadeias de valor e da dependência de
países.“A China está em todo o lado e a
Europa está em todo o lado? É algo em que temos de pensar”, desafiou o
governante, aproveitando para defender o reforço das relações entre os
países do Atlântico.