Ministro diz que TAP não está em condições para reverter cortes salariais
24 de jun. de 2022, 13:37
— Lusa/AO online
“O Governo não
negoceia, quem negoceia é a administração da TAP, mas o Governo
continuará a explicar e a sensibilizar para a importância de nós sermos
todos firmes na concretização do plano reestruturação do qual depende a
sobrevivência da companhia aérea onde eles trabalham”, disse Pedro Nuno
Santos à margem da cerimónia de assinatura do auto de consignação da
empreitada de eletrificação do troço ferroviário entre Tunes e Lagos.Para
o responsável governamental, a TAP “não está propriamente em situação
financeira que lhe permita reverter os cortes que foram fundamentais e
que são fundamentais para sustentar a recuperação da empresa”.No
domingo passado, a TAP anunciou que vai reduzir em 10% o corte que os
pilotos sofreram nos vencimentos e aumentar o patamar a partir do qual
aplicará reduções nos salários dos restantes trabalhadores.Na
segunda-feira, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) acusou a
TAP de "manipulação e propaganda" e garantiu que iria acionar "todos os
mecanismos legais" para contestar o que dizem estar a ser "incumprido".Posteriormente,
o SPAC afirmou, no final de uma reunião que teve na quinta-feira ao fim
do dia com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, que a solução
para a situação na TAP “está do lado” da empresa e “da tutela”.“Nós
esperamos que consigamos ter a paz social na TAP, que a companhia aérea
precisa e que o país merece”, afirmou Pedro Nuno Santos, recordando que
“os portugueses fizeram um investimento massivo para salvar uma
companhia aérea que é muito importante para a economia nacional”.O
ministro sublinhou que o Governo “não ignora” e “valoriza” o esforço
dos trabalhadores da companhia de aviação, “entre eles os pilotos, para
salvar a empresa…”.“Nós
não esperamos outra coisa que não seja o cumprimento desses acordos de
emergência”, insistiu Pedro Nuno Santos, acrescentando que a
administração da TAP poderá “negociar alguns ajustamentos possíveis”,
desde que estes “não ponham em causa” a situação da empresa ou os planos
de reestruturação.O
governante lembrou que os contribuintes investiram até 3,2 mil milhões
de euros na companhia aérea e que agora esperam “da parte de quem vive e
trabalha na TAP o respetivo esforço”.Pedro
Nuno Santos reconheceu que 2019 foi o melhor ano para a companhia aérea
e o turismo nacional, mas que nesse ano a empresa “teve prejuízo” e
que, portanto, “não basta voltar aos níveis de atividade de 2019 para se
poder repor” as condições de trabalho que se tinham antes desse ano.