Ministro diz que propinas são “assunto encerrado” apesar da contestação estudantil
20 de out. de 2025, 16:54
— Lusa/AO Online
“É um assunto encerrado [as propinas]. Aquilo
que é fundamental é um sistema de ação social. Não consigo perceber como
é que os estudantes não lutam por aquilo que verdadeiramente importa,
que é a ação social, que é garantir que qualquer estudante tem o apoio
financeiro necessário para poder frequentar o ensino superior”,
respondeu Fernando Alexandre aos jornalistas, em Guimarães, após
questionado sobre a contestação estudantil à decisão de aumentar as
propinas anunciada em setembro pelo governante.Associações
de estudantes de Lisboa, Porto e Caldas da Rainha agendaram uma
manifestação em frente à Assembleia da República em 28 de outubro,
último dia de discussão do Orçamento do Estado para 2026, para “reverter
o aumento da propina e retomar o caminho da gratuitidade”.“A
propina é um pequeno valor face aos custos da frequência do ensino
superior. Não consigo perceber, confesso mesmo, racionalmente, eu não
consigo perceber como é que as associações de estudantes dão tanta
importância a um tema, quando o foco deles devia estar no alojamento,
devia estar na ação social, porque isso é que faz a diferença, isso é
que garante a igualdade de oportunidades”, defendeu o ministro.O
Governo decidiu descongelar, a partir do ano letivo 2026/2027, o valor
das propinas das licenciaturas, que não sofre alterações desde 2020 e
que passará de 697 para 710 euros, anunciou o ministro da Educação no
início de setembro.Fernando Alexandre, que
falava à margem da assinatura do protocolo da Rede Temática Regional
‘Valorização do Ensino Superior e do Conhecimento no Norte’, que
decorreu no Paço dos Duques, em Guimarães, distrito de Braga, deu o
exemplo da “quantidade de alunos” que não entrou este ano letivo no
ensino superior para justificar a decisão governamental.“Quem
defende a redução das propinas, o que está a defender é que as famílias
desses alunos que não entraram no ensino superior paguem as propinas
dos outros alunos. Porque, quando defendemos a redução das propinas, o
que estamos a dizer é que é a sociedade portuguesa, como um todo, que
vai pagar esse valor. Isso é justo? Isso não é justo. É injusto, é
extremamente injusto”, referiu Fernando Alexandre.