Ministro diz que “há muitas aproximações a muitas reivindicações” dos professores
3 de mar. de 2023, 11:35
— Lusa/AO Online
“Temos
um processo [negocial] que passou por ouvirmos os representantes dos
professores e os professores, que, legitimamente, se manifestam, e é por
isso que estamos a apresentar um anteprojeto de decreto-lei, que tem
muitas aproximações a muitas reivindicações antigas dos sindicatos”,
afirmou João Costa aos jornalistas, após discursar em Braga no arranque
do 3.º Congresso das Escolas.O ministro,
que foi recebido por um protesto com cerca de meia centena de
professores à chegada ao Altice Fórum, apontou as “aproximações” às
reivindicações dos sindicatos dos professores.“Vamos
ter já este ano a maior vinculação de professores de que há memória,
retirar da precariedade mais de 10 mil professores. Vamos introduzir, e
era algo que era pedido pelos sindicatos há muitos anos, a possibilidade
de os professores se aproximarem da sua residência anualmente e não
apenas em ciclos de quatro anos. Vamos ter um processo de vinculação
dinâmica, algo que, desde que eu me lembro de ser gente, é reclamado,
legitimamente, pelos sindicatos. E fizemos muitas aproximações”,
sublinhou o governante.João Costa frisou
que "o diploma que hoje está em cima da mesa, não é aquele que o
ministério da Educação apresentou no início” das negociações.“Tínhamos
questões como uma maior autonomia para as escolas poderem contratar
diretamente, fizemos cair isso. Fizemos cair a contratação por perfis de
competências e temos apenas a graduação profissional como critério para
o recrutamento. Este foi, efetivamente, um processo negocial, em que
também não é o anteprojeto de decreto-lei de que eu gostaria mais”,
assumiu o ministro.O governante lembrou
que “vai haver negociação suplementar”, pedida pelos sindicatos, em
reunião agendada para 09 de março, dando conta de que, entretanto, já
houve mais avanços nas negociações com os representantes dos
professores.“Desde a última reunião, para
aquilo que entregamos ontem [quinta-feira] aos sindicatos, já há
alterações introduzidas que decorrem do que foi negociado na última
reunião. Vamos passar a ter escalões remuneratórios, índices
remuneratórios para os professores contratados e tínhamos previsto um
conjunto de condições para a subida de escalão para estes professores
contratados, que, ouvindo os sindicatos, deixamos cair nesta versão, e
isso decorreu da última reunião”, adiantou o ministro.João
Costa disse ainda que, a pedido dos sindicatos, o Ministério está a
trabalhar numa “solução técnica” para que o processo de vinculação
inclua os professores de escolas portuguesas no estrangeiro, que, até
agora, “nunca tiveram oportunidade de vincular”.“Isso
foi algo que foi sinalizado nas últimas duas reuniões, tem alguma
complexidade técnica, e que estamos também a introduzir nesta proposta. E
isto existe porque existe efetivamente um processo negocial”, salientou
o governante.O ministro da Educação
reiterou que a contabilização do tempo de serviço, uma das principais
reivindicações dos sindicatos, “não é uma questão da carreira dos
professores, é uma questão transversal às diferentes carreiras, que é
avaliada no quadro do impacto financeiro e no impacto da comparabilidade
entre carreiras”.João Costa lembrou que
neste processo negocial foi dada prioridade “àquilo que está inscrito no
programa do Governo, como prioritário”.“O
combate à precariedade, a redução das distâncias, a fixação dos
professores. Vamos ter muitas vagas a ser abertas em quadros de escola,
vamos reduzir o recurso aos professores contratados e aos professores em
quadros de zona, para fixar os professores em escolas concretas. Esta
foi a prioridade. E, como tenho sempre dito, depois deste processo
concluído, tem havido sempre uma disponibilidade total do Ministério da
Educação para conversarmos sobre outros temas”, assumiu o ministro da
Educação.Os trabalhadores não docentes de
todo o país e professores das escolas dos distritos a sul de Leiria
estão hoje em greve para exigir melhores condições de trabalho e
salariais, e a criação de carreiras específicas.Pelos
professores, prossegue a greve de dois dias convocada por uma
plataforma de nove organizações sindicais, incluindo as federações
nacionais de Professores (Fenprof) e Educação (FNE), as mais
representativas do setor.