Ministro diz que está a apresentar soluções para os problemas dos professores
29 de mar. de 2023, 17:55
— Lusa/AO Online
“A mim não
me compete comentar nem a duração das greves, nem os pré-avisos de
greve. Isso é uma matéria que é das organizações sindicais”, disse João
Costa, ao ser confrontado com o arrastamento do conflito entre
professores e o Governo e com a falta de aulas, que está a afetar alunos
por todo o país.“Aquilo que para nós é
fundamental é que nós estamos a avançar com um conjunto de soluções, com
um conjunto de propostas que, no caso concreto do que negociámos até há
cerca de um mês, relativamente ao recrutamento de professores, ao
combate à precariedade, corresponde a um reforço de cerca de 143 milhões
de euros nas despesas de educação. E esta proposta que apresentámos
agora corresponde a um investimento de 161 milhões de euros”,
acrescentou.O ministro da educação, que
falava aos jornalistas no final da visita que efetuou hoje à Escola
Profissional de Setúbal no âmbito da iniciativa do `Governo + Próximo´,
que decorre hoje e quinta-feira em Setúbal, reafirmou que o Governo
nunca teve posições de intransigência no processo negocial com os
professores e que tem apresentado medidas responsáveis, que são robustas
em termos financeiros.“Quando olhamos
para o que foi o processo de negociação do recrutamento, aquilo a que
chegámos é muito diferente do que foi o ponto de partida”, sublinhou
João Costa.No que respeita a uma das
principais exigências dos professores, a recuperação integral do tempo
de serviço, João Costa deixou claro que se trata de uma exigência
inaceitável para o Governo. “Todos
sabemos que isso não é possível nem de uma vez, nem naquilo que
representa em termos de volume, para todas as carreiras. E por isso
estamos a apresentar uma proposta que, ouvindo as legítimas
reivindicações dos professores, não conseguindo fazer tudo, consegue
acelerar a carreira dos professores que estiveram congeladas, dando-lhes
uma perspetiva, que muitos hoje não têm, de atingir os escalões mais
altos da carreira, antes da sua aposentação”, disse o ministro da
Educação.A recuperação do tempo de
serviço era justamente uma das revindicações patente em diversos
cartazes de cerca de quatro dezenas de professores que vaiaram o
governante logo à entrada da Escola Profissional de Setúbal, a exemplo
do que se tem visto noutros locais do país.Sobre a visita à Escola Profissional de Setúbal, João Costa disse
tratar-se de um estabelecimento de ensino de “referência a nível
regional, a nível nacional” e lembrou que o Governo está a fazer “um
grande investimento no ensino profissional através do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR)”.Segundo João Costa, numa primeira fase, já em conclusão, está prevista a criação de 104 centros tecnológicos especializados.“São infraestruturas em que vamos capacitar as escolas em valores
superiores a um milhão de euros e que nos vai permitir modernizar muito o
ensino profissional, adequando-o às necessidades das empresas, às
necessidades dos territórios”, disse.“E
nada melhor do que vir ao terreno. Esta é uma escola com um trabalho
muito interessante, com parcerias internacionais, com uma grande
presença nas empresas, nas instituições de ensino superior aqui do
distrito de Setúbal. E, nesta iniciativa, diria que era quase impossível
não vir aqui à Escola Profissional de Setúbal”, concluiu o ministro da
Educação.