Ministro desvaloriza ausência de Universidade dos Açores no Contrato de Legislatura
29 de nov. de 2019, 09:17
— Lusa/AO Online
O
jornal Açoriano Oriental revelou na terça-feira que o reitor da
Universidade dos Açores, João Luís Gaspar, se recusou a assinar o
documento que vincula hoje o ensino superior público, mas sobretudo o
Governo, a um plano de financiamento até ao final da legislatura, por
discordar do valor de financiamento que seria atribuído à sua
instituição, que aumentaria em 700 mil euros a sua dotação inicial, e
por entender que o documento o deixava preso a um modelo que o impedia
de pedir reforços de financiamento.Em
declarações à Lusa, Manuel Heitor sublinhou que o financiamento definido
no contrato resulta de um acordo com o Conselho de Reitores das
Universidades Portuguesas (CRUP) e com o Conselho Coordenador dos
Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).“Obviamente,
seguiu uma determinada distribuição, não é igual. Há três patamares.
Algumas universidades, incluindo os Açores e a Madeira têm 2,4% e
outras, as maiores, têm 1,96% de aumento. Essa distribuição foi
acordada”, disse, lembrando que o contrato da anterior legislatura não
previa qualquer aumento de dotação orçamental para as instituições. “Naturalmente
que todos queremos mais financiamento, mas este aumento global foi
aquele que foi possível no contexto não apenas de todas as áreas
governativas, mas também daquilo que são as necessidades de aumento do
investimento público em Portugal e por isso tem que ser sempre
relativizado face à evolução dos outros orçamentos públicos. Portanto, é
um bom orçamento para o ensino superior, é um excelente contrato”,
acrescentou o governante.Manuel Heitor
considerou as universidades dos Açores e da Madeira “casos específicos” e
que “têm tido reforços devido ao seu contexto e que hoje já têm um
financiamento por estudante ou por docente em várias ordens de grandeza
superior às outras universidades”.“É importante que seja dito que aqui foram mais uma vez reforçados. Podemos sempre dizer que não é suficiente”, acrescentou.O ministro disse ainda que o reitor o informou da sua decisão.“O
reitor tem a sua própria opinião, que se calhar também não é consensual
dentro da própria universidade, e ele próprio me informou que não
queria assinar o contrato, porque não concordava com a decisão das
outras universidades. É um contexto próprio e acho que temos que o
respeitar”, disse Heitor, recusando que a falta de unanimidade entre as
universidades possa também ser resultado das dificuldades de execução do
contrato anterior, que levaram a atrasos nas transferências de verbas e
a reuniões de negociação com a tutela e com o Ministério das Finanças.O
Contrato de Legislatura com as instituições de ensino superior é hoje
assinado e prevê um aumento no financiamento de 55 milhões de euros já
em 2020, acomodando aspetos como a redução do valor das propinas
suportado pelas famílias, e um crescimento anual na dotação orçamental
de 2% ao ano até 2023.Ao nível do
financiamento dos alunos, no que diz respeito à ação social há o
objetivo declarado de aumentar o número de bolsas de estudo das atuais
78 mil para 90 mil em 2023 e 100 mil em 2030, mas parte do seu
financiamento está ainda dependente do resultado de negociações futuras
do próximo quadro comunitário.“Queremos
aumentar o número de bolsas, mas mais do que o número de bolsas as metas
estão postas em aumentar a participação no ensino superior. Atingir a
meta de 60% até 2030 exige um reforço da ação social escolar. Temos que
ir vendo caso a caso, porque essa medida está a ser acompanhada da
redução das propinas, que reduz o esforço das famílias, mas também do
reforço do alojamento”, disse Heitor.Ao
nível do alojamento as metas definidas estipulam um crescimento de camas
das atuais 15.370 para as 26.900 em 2023 e um crescimento mais modesto
até 2030 para as 30 mil camas disponíveis.O
contrato prevê que as instituições consigam atrair uma maior
percentagem de jovens de 20 anos para o ensino superior, passando dos
atuais 51% para 55% até ao final da legislatura e 60% até 2030, a meta
europeia.Pretende-se ainda que o programa
de bolsas +Superior, que promovem a mobilidade para instituições do
interior cresça em 400 bolsas até 2023 para as 2.000 e até às 5.000 em
2030.