Ministro das Finanças rejeita "dramatismo" com fim das moratórias
Covid-19
21 de mai. de 2021, 10:45
— Lusa/AO Online
"Falei
aqui com o meu colega irlandês que também na Irlanda conseguiram
atravessar bem o fim das moratórias, e noutros países também
conseguiram. Não tem que ter o dramatismo que muitas vezes se coloca em
Portugal", considerou João Leão em entrevista à Lusa.Ladeado
por Paschal Donohoe, presidente do Eurogrupo (grupo de ministros das
Finanças da zona euro) e seu homólogo irlandês, o governante português
frisou que noutros países "a evolução foi menos dramática do que muitas
vezes se antecipa", podendo o mesmo suceder em Portugal."Temos
a expectativa de que teremos agora, antes do fim da moratória, uma
forte recuperação da economia", disse, alicerçando-se em dados dos
"principais indicadores avançados" que demonstram a retoma."O
exemplo que demos é que os pagamentos do multibanco nas últimas três
semanas estão bastante superiores ao que eram antes da pandemia, em
2019", algo que demonstra que "o consumo está a recuperar de forma muito
rápida", no entender do ministro.João
Leão crê também que os setores "de retalho e do turismo vão estar mais
bem preparados para o momento de quando chegar o fim das moratórias, em
setembro", devido ao verão que se avizinha, com uma recuperação "muito
forte".No entanto, o ministro considerou
"muito importante" que se olhe "com atenção para o efeito que a crise
teve nos balanços" das empresas dos setores mais afetados, e "perceber
como é que elas têm a capacidade para enfrentar a moratória"."Por
um lado, o Governo já aprovou um conjunto de linhas de empréstimo com
garantias do Estado que dão financiamento adicional a estas empresas,
que são importantes para enfrentar também esse período, e por outro lado
também é importante percebermos como é que chegando ao fim da
moratória, onde estas empresas se vão situar", prosseguiu.O
governante destacou ser necessário avaliar "que mecanismos adicionais o
Estado pode trazer" para ajudar as empresas com as suas obrigações "no
momento em que, sobretudo nos setores mais atingidos, passam a ter que
fazer a amortização normal que faziam antes da crise".Por
sua parte, o presidente do Eurogrupo reconheceu que "poderão existir
desafios" em termos de "crédito malparado e riscos bancários", mas "é
por os governos terem intervindo de forma tão forte nas economias para
ajudar os empregadores em tempos de dificuldade", que isso "deverá
reduzir o nível do desafio"."A mera razão,
por exemplo, pela qual os governos estão a gastar tanto dinheiro
atualmente, é para que, quando começarmos a recuperar, se reduzam os
danos nos balanços de muitos empregadores, particularmente os mais
pequenos", vincou Paschal Donohoe.A adesão
às moratórias públicas por parte de empresas e particulares terminou a
31 de março, permitindo que, no máximo, os encargos com o crédito
(capital e/ou juros) possam ser diferidos por mais nove meses. Regra geral, contudo, a moratória pública termina a 30 de setembro.