Ministro das Finanças admite que crescimento do PIB está abaixo da “ambição” do Governo
11 de set. de 2025, 16:20
— Lusa/AO Online
“O nosso
crescimento tem sido de 2% ou superior a 2%, o que ainda está abaixo do
objetivo, da ambição do Governo, mas continua a ser bastante superior à
média da zona euro”, referiu no encerramento da conferência “Portugal’s
position in a changing global order” (“A posição de Portugal numa ordem
global em mudança”), realizada na Nova School of Business and Economics,
em Carcavelos, Oeiras.No encontro
organizado pelo grupo do jornal britânico Financial Times, no qual
discursou em inglês, Joaquim Miranda Sarmento ressalvou que “a economia
portuguesa tem demonstrado uma enorme resiliência e capacidade de
adaptação, especialmente desde a pandemia” e mostrou-se confiante de que
conseguirá resistir aos choques externos.O
Produto Interno Bruto Português (PIB) cresceu 1,9% em 2024 e, nesse
ano, ficou acima dos 1,8% projetados pelo executivo. No entanto, no
primeiro semestre deste ano desacelerou, progredindo 1,7% em termos
homólogos, e no segundo trimestre cresceu 1,9% face ao mesmo período do
ano passado.O desempenho nos primeiros
seis meses está abaixo do objetivo anual do executivo, tendo em conta
que a projeção anual de crescimento do PIB é de 2,1%, segundo o valor
inscrito no Orçamento do Estado para 2025.Na
conferência, o ministro frisou que o emprego continua a crescer, que as
exportações sofrem com o contexto internacional, mas que deverão
continuar a aumentar.Miranda Sarmento
sublinhou que “uma economia pequena e aberta como a portuguesa está
sujeita a todas essas ameaças” e que a primeira delas “são os choques
geopolíticos”.“A guerra na Ucrânia
continua a gerar incerteza. Estamos todos preocupados com a escalada do
conflito e com a impossibilidade de uma guerra grave. Em segundo lugar,
estamos confrontados com tarifas e guerras comerciais”, referiu.“Esperamos
que esse capítulo esteja agora encerrado e que a incerteza tenha
terminado, mas, apesar disso, os direitos aduaneiros vão prejudicar
todos. Vão prejudicar os consumidores e a economia dos Estados Unidos (e
já estamos a ver isso), mas também vão prejudicar as empresas
exportadoras”, advertiu.Apesar disso, o
ministro acredita que “as exportações continuarão a crescer”, sem
comprometer “o objetivo de atingirem mais de 50% do PIB nos próximos
anos”.Como sinal de confiança no
desempenho da economia, referiu o facto de Portugal estar a captar
investimento estrangeiro. “Conseguimos atrair uma fábrica da Lufthansa
Technik, uma fábrica da Calb – fabricante chinês de baterias –, o novo
veículo elétrico da Volkswagen e também um forte investimento em centros
de dados, principalmente de empresas norte-americanas, mas também de
empresas europeias”, elencou.No mesmo
contexto, referiu a circunstância de o Novo Banco estar a ser comprado
pelo grupo francês BPCE, “o segundo maior banco francês, o quinto maior
banco europeu”, o que diz ser “um sinal de uma incrível confiança no
país por parte dos investidores e dos mercados”.Em
relação às contas públicas, prevê que a dívida baixe para 92% do PIB no
final deste ano e que recue para 88% em 2026, ficando “abaixo da média
da zona euro”.As previsões mantêm-se
alinhadas com as do Programa de Estabilidade apresentado ao parlamento
em 15 de abril de 2024, no qual se previa uma redução do endividamento
público para 91,4% em 2025 e para 87,2% em 2026.O ministro reafirmou que o Governo espera atingir um excedente orçamental de 0,3 do PIB este ano e de 0,1% em 2026.Miranda
Sarmento lembrou ainda a intenção de avançar com uma simplificação do
sistema fiscal, “para resolver a litigância”, e com a redução do IRS e
do IRC.No final da conferência, já no exterior, o ministro saiu sem querer falar aos jornalistas, dizendo: “Falamos em breve”.