Ministro da Saúde diz que Portugal tem reserva adequada de sangue
27 de mar. de 2023, 12:58
— Lusa/AO Online
“Todas
as dificuldades somam-se às dificuldades da vida quotidiana que cada um
tem. Podemos imaginar que, por exemplo em fevereiro e março, as greves
nos transportes podem ter dificultado, mas tudo isso será rapidamente
vencido porque os portugueses são muito solidários”, disse Manuel
Pizarro. No Porto, onde iniciou o dia a
doar sangue na unidade móvel do Instituto Português do Sangue e da
Transplantação (IPST) instalada nos jardins do Palácio de Cristal, o
ministro da Saúde garantiu que, “apesar de uma certa redução das
dádivas”, Portugal tem “neste momento a reserva adequada”.“Não
há nenhum tema de segurança, mas esta é uma realidade dinâmica. Todos
os dias se acrescentam necessidades e temos de estar muito atentos para
não haver dificuldades. Neste caso, dificuldades significa a
possibilidade de uma pessoa sobreviver ou não sobreviver”, frisou.Em
entrevista ao Jornal de Notícias, a presidente do IPST, Maria Antónia
Escoval, disse que depois de um janeiro "surpreendente", fevereiro e
março foram meses "muito fracos" nas colheitas de sangue, atribuindo as
dificuldades às "greves nos transportes e a alguma convulsão social".No
Dia Nacional do Dador de Sangue, Manuel Pizarro não quis comentar
outros temas da atualidade para “focar a mensagem no apelo à dádiva”,
sublinhando que não está preocupado com a reserva de sangue porque sabe
que “os portugueses são muito generosos”.“Temos
mais de 245.000 dadores regulares de sangue. No ano de 2022, 32.000
portugueses juntaram-se a este grande grupo de gente que dá sangue, mas a
verdade é que temos necessidades crescentes porque a Medicina evoluiu e
está cada vez mais sofisticada. Fazemos mais transplantação de órgãos,
mais cirurgias complexas e as necessidades vão aumentando”, disse,
reforçando o apelo.“Não custa nada”, enfatizou.Questionado
sobre os apelos de algumas instituições para que, além da dádiva
tradicional de sangue, os dadores adiram à dádiva de componentes
sanguíneos específicos, como as plaquetas, Manuel Pizarro disse que os
institutos estão em condições de informar os dadores porque “a colheita
pode ser otimizada”.“Os institutos estão
em condições de informar os dadores, caso a caso, da possibilidade que
temos de selecionar a oferta. A maior parte das colheitas são de sangue
total e depois é feita uma separação das diferentes componentes em
laboratório, mas conseguimos otimizar essa colheita se, logo na
colheita, fizermos colheita separada de alguns componentes”, referiu.Prometendo
que “o sistema continuará a ser aperfeiçoado”, o ministro da Saúde
também lembrou que é preciso “aguardar o novo regulamento da União
Europeia de colheita e transplantação de sangue e de órgãos”.“Esperamos que esse regulamento crie mecanismos que facilitem a colheita de componentes em separado”, concluiu.O
Dia Nacional do Dador de Sangue que hoje se comemora serve para
homenagear os dadores que cumprem o seu dever de cidadania com um gesto
simples e altruísta, sendo este um gesto capaz de salvar vidas.