Ministro da Saúde admite que problemas do SNS estão longe de serem resolvidos
19 de out. de 2022, 12:17
— Lusa/AO Online
Manuel
Pizarro respondia desta forma a questões levantadas, na Comissão
parlamentar de Saúde, pela deputada da Iniciativa Liberal Joana Cordeiro
sobre o Relatório Anual de Acesso a Cuidados de Saúde nos
Estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Entidades
Convencionadas, relativo a 2021, que foi entregue quando Marta Temido
era ministra da Saúde.“Há elementos deste
relatório que eu só tive ocasião de estudar nas últimas semanas, que
são, para mim, surpreendentemente positivos, da capacidade de
recuperação do Serviço Nacional de Saúde depois de um período
absolutamente dramático da nossa vida coletiva, com especial impacto no
setor da saúde”, a covid-19.Para o
ministro, “é impressionante” o SNS ter realizado cerca de 50 milhões de
consultas em 2021. “É bem verdade que dois quintos foram consultas à
distância, não foram consultas presencias, mas cerca de cinco consultas
por pessoa por ano é a média dos países mais desenvolvidos da União
Europeia”, enfatizou.Foram ainda
realizadas cerca de 5 milhões de urgências, o que quer dizer que, em
média, cada português contactou diretamente 5,5 vezes por ano com o
sistema de saúde só para este efeito.
“Quer isto dizer que temos todos os problemas resolvidos? Estamos muito
longe disso”, disse, dirigindo-se à deputada Joana Carneiro.Na
sua intervenção, o deputado do PSD Rui Cristina, assim como a deputada
Joana Carneiro, questionaram o ministro sobre o excesso de mortalidade
observada em Portugal.Rui Cristina
salientou que uma das consequências da redução do acesso a cuidados de
saúde que se verificou no SNS, como resultado da pandemia, foi o aumento
da mortalidade excessiva em Portugal. "Só
entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o INE calculou um aumento da
mortalidade total em Portugal na ordem dos 21%, um aumento em que as
causas não covid representam cerca de 30%, ou seja, quase 7.000 mortes",
salientou.Lembrou que a ex-ministra da
Saúde se tinha comprometido a realizar um estudo aprofundado sobre os
excessos de mortalidade registados em Portugal desde o início da
pandemia e questionou Manuel Pizarro se vai "honrar o compromisso da sua
antecessora".Em resposta aos deputados,
Manuel Pizarro adiantou que o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo
Jorge (INSA) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) estão a trabalhar num
modelo de avaliação do excesso de mortalidade em Portugal no triénio
2020, 2021 e 2022 que será tornado público.Sobre as causas deste fenómeno, afirmou que são dados que não podem ser analisados em ciclos muito curtos.Mas,
fazendo uma “avaliação muito grosseira” dos dados da mortalidade, disse
que estarão associados a dois fenómenos: aos sucessivos picos da
pandemia de covid-19 e a momentos de alterações climáticas “mais
intensas”, com “uma novidade” é que ocorreram com períodos de calor
extremo e não apenas em períodos de maior frio, como era habitual. “Mas, repito, isto precisa de ser analisado numa série mais longa”, ressalvou o governante.Na
audição, requerida pela Iniciativa Liberal e pelo PS, o ministro foi
ainda questionado pelo PSD e pelo Chega sobre alegadas
incompatibilidades pelo facto de ser casado com a bastonária da Ordem
dos Nutricionistas e pela posição de sócio-gerente numa empresa de
consultoria na área da Saúde.Na sua resposta aos deputados, Manuel Pizarro assegurou que as situações estão “completamente resolvidas”.“Sobre
a questão que releva para esta câmara não estou abrangido por nenhuma
incompatibilidade nem regime de interesses”, disse Manuel Pizarro na
Comissão da Saúde, onde foi ouvido pela primeira vez como ministro da
Saúde.