Ministro da Educação reconhece especificidades das Universidades das regiões autónomas
20 de out. de 2025, 10:21
— Lusa/AO Online
Fernando
Alexandre, que visitou a Universidade dos Açores (UAc) e reuniu
com investigadores, disse aos jornalistas que iniciativas desta natureza
“são sempre muito importantes”.“No
momento em que estamos a fazer muitas reformas, com uma amplitude muito
grande, como não é feito há muitas décadas em Portugal nesta área,
obviamente, é preciso também esta comunicação para explicar a visão que
temos, aquilo que estamos a fazer”, disse.Acrescentou
que também é “sempre importante perceber o ponto vista dos
investigadores, as preocupações que têm, porque num processo de reforma
há sempre maneiras de conseguirmos melhorar as instituições, que é esse o
nosso objetivo”.Quanto a preocupações
registadas, o governante salientou a “dimensão que diz respeito à
carreira”, indicando que a mudança no estatuto “ficará para depois da
aprovação do Regime Jurídico que será discutido na próxima semana na
Assembleia da República” e que gostaria “que fosse aprovado até ao final
deste ano, porque é a base institucional de todo o sistema”.Fernando
Alexandre referiu que existem dúvidas em relação à criação da nova
Agência para a Investigação e Inovação, que são naturais”.Depois,
salientou que “há sempre uma preocupação muito presente […] que tem a
ver com as especificidades destas regiões [Autónomas], da sua
insularidade, do financiamento que, de facto, deve também acautelar as
especificidades destas regiões”.“No caso
da Universidade dos Açores, e também da Madeira, há contratos programa
que estão em execução, mas, de facto, há especificidades, em particular
aqui, na Universidade dos Açores”, disse.E
prosseguiu: “É um arquipélago, tem três polos em três ilhas, no Faial,
na Terceira e em São Miguel. Este é o segundo que eu visito, falta
visitar o terceiro, no Faial. E, obviamente, essa insularidade e essa
dispersão pelo arquipélago, em três ilhas diferentes, coloca desafios do
ponto vista da gestão e dos recursos, que são diferentes de
instituições que não têm essa geografia, digamos assim”.Sobre
a nova Agência para a Investigação e Inovação esclareceu que “a grande
alteração é que, pela primeira vez, teremos um Orçamento plurianual”.“E
isso tem sido muito bem recebido por todos os investigadores porque é
algo que reclamam há muito tempo. Será um contrato programa por cinco
anos e por isso, uma previsibilidade e uma estabilidade como não temos
tido no financiamento da ciência. E, obviamente, queremos reforçar esse
financiamento. E essa é a grande mudança”, afirmou o ministro da
Educação.Disse, ainda que, futuramente,
haverá “planeamento estratégico, porque vamos deixar de navegar à vista e
vamos passar a ter planos de médio e longo prazo, que serão discutidos
publicamente, mas que, obviamente, serão decididos politicamente e que
serão implementados por uma agência que terá independência e prestará
contas pela execução desse contrato”.Quando
questionado sobre se as especificidades dos Açores vão ser consideradas
no financiamento da nova Agência, respondeu que o financiamento da
ciência continuará a ser feito “seguindo as melhores práticas
internacionais” e a UAc “tem mostrado que está preparada para isso”.“A
distinção tem que ser feita - e que já é feita com um
contrato-programa, mas que, obviamente, temos de aperfeiçoar -, é ter em
conta os custos acrescidos que uma instituição que está baseada num
arquipélago tem relativamente a outra que não está baseada num
arquipélago”, admitiu.A reitora da UAc,
Susana Mira Leal, disse que no novo modelo de financiamento das
universidades, “a discussão deve ser feita, precisamente, de forma a
encontrar um modelo que seja o mais adequado possível, para fazer face
às insuficiências que foram diagnosticadas e que, na verdade, estão na
base da proposta de melhoria”.“Para isso,
as instituições de ensino superior estão cá, o sistema científico
nacional tem muitos e diversificados agentes, que devem fazer parte da
discussão e contribuir para se encontrarem as melhores soluções. E,
depois, os modelos devem ser também avaliados periodicamente e devem ser
ajustados na medida daquilo que forem as necessidades, uma vez que não
há modelos perfeitos”, afirmou.