Ministro da Educação admite que falta de professores tem impacto nos 'rankings'
4 de abr. de 2025, 15:57
— Lusa/AO Online
“Nós
não temos dúvidas [de que a falta de professores tem impacto no sucesso
escolar]. Não é por acaso que definimos como uma prioridade reduzir o
elevado número de alunos sem aulas por períodos prolongados e até ao
final da legislatura tínhamos definido como objetivo acabar, de facto,
com os alunos sem aulas”, disse.E
acrescentou: “Temos de ter professores para todos os alunos e depois
temos de ter um apoio aos alunos que têm dificuldades e que perderam
aprendizagens para recuperarem essas aprendizagens”.“A
OCDE chama a atenção para isso. E em Portugal, o problema que nós temos
é que, de facto, as escolas que nós identificamos como carenciadas,
onde estruturalmente é difícil fixar professores, têm mais dificuldade
em garantir as aprendizagens”, sustentou Fernando Alexandre.Sobre
os resultados da auditoria para identificar quantos alunos ficaram sem
aulas este ano letivo, o ministro disse não ter ainda os resultados
definitivos, aguardando a sua divulgação ainda este mês.Ressalvou
que é preciso ter em atenção quantos alunos estão sem aulas há três
meses ou há seis meses ou quando são alunos que, por exemplo, não
tiveram aulas nessa semana porque houve pessoas que se reformaram ou
pessoas que ficaram doentes.“O impacto nas
aprendizagens é completamente diferente. E é essa informação que nós
procuramos”, disse, explicando que o sistema de informação do Ministério
está mais focado na colocação de professores e não na identificação dos
alunos que estão sem aulas.Na opinião do
ministro, isso é também “revelador da importância que tem sido dada ao
problema”: “Se nós quisermos enfrentar o problema, nós temos que medir
bem o problema”.Segundo Fernando
Alexandre, “a maior parte das escolas garante que não há alunos sem
aulas”, o que se deve às medidas do Governo, nomeadamente a facilidade
de contratação ou as horas extraordinárias. “Nós introduzimos 15 medidas, mais o apoio à deslocação, que beneficia neste momento mais de 2.500 professores”, afirmou.Ainda
sobre os ‘rankings’, o ministro salientou que “os resultados na
educação são o resultado de um percurso dos alunos, que começa no
pré-escolar” e “a qualidade depende do investimento que é feito ao longo
de décadas”.“Ora, quando nós não
conseguimos sequer garantir um quadro de professores, nós não estamos a
conseguir garantir as condições mínimas para que os alunos tenham uma
aprendizagem contínua, consistente, que depois obviamente se vai
refletir nos resultados que eles têm, quer nos exames nacionais, que
estão hoje refletidos nos ‘rankings’, quer nas taxas de reprovação e de
abandono”, salientou o ministro.Fernando
Alexandre, que falava aos jornalistas à margem do Fórum Nacional de
Clubes Ciência Viva na Escola, no Porto, pediu também cautela na leitura
dos ‘rankings’, defendendo que “não devem ser feitas comparações entre
escolas com alunos de um contexto socioeconómico muito favorecido com
outras que “não conseguem, por exemplo, fixar professores”.“Nós
disponibilizamos a informação e os ‘rankings’ são construídos pelos
‘media’, pelos jornais, pelos investigadores. É fundamental libertar
esta informação porque ela dá uma indicação sobre aquilo que é a
evolução do nosso sistema educativo e dos resultados que são
alcançados”, mas “o problema do ‘ranking’ é quando não é feita uma
comparação entre escolas tendo em atenção o contexto socioeconómico dos
alunos”, disse.