Ministro da Economia diz que aposta no turismo pode minimizar impacto da recessão
6 de dez. de 2022, 12:59
— Lusa/AO Online
“Não
podemos ter ilusões: se existir uma recessão na Alemanha, o impacto vai
ser significativo em toda a Europa”, declarou, sublinhando que a aposta
no setor do turismo, por exemplo, ao nível nacional é determinante.António
Costa Silva falava no Funchal, no âmbito da cerimónia de tomada de
posse da delegação da Madeira da SEDES – Associação para o
Desenvolvimento Económico e Social, na qual foi um dos oradores, sobre o
tema central "O papel da Madeira na economia nacional".“O
turismo é um grande exemplo de que a diversificação pode eventualmente
colmatar quebras que possam existir a partir da Alemanha ou do Reino
Unido”, disse, destacando o crescimento de 30% registado este ano no
número de turistas oriundos dos Estados Unidos. “Somos
país que pela sua própria História está conectado a todos os
continentes do mundo. Se trabalharmos todos estes mercados de uma forma
consistente é possível superar, ou pelo menos minimizar, algum desse
impacto”, reforçou. O governante
socialista declarou, por outro lado, que o Ministério da Economia “não
deve atrapalhar” o tecido empresarial, mas deve estar “ligado a todos os
setores” para identificar os problemas e desenvolver um conjunto de
políticas que “façam chegar o dinheiro o mais depressa possível às
empresas”. Na sua intervenção, António
Costa Silva sublinhou a importância das regiões autónomas insulares –
Madeira e Açores – no posicionamento de Portugal no mundo, realçando que
“o conceito de país arquipelágico muda toda a perspetiva estratégica”. O
ministro considerou que a economia do mar vai “reformatar” o futuro das
sociedades face à crise climática e disse ser fundamental o país “olhar
para as infraestruturas que foram construídas na Madeira”. “Temos de valorizar esta dimensão marítima”, reforçou. Já
o presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, mostrou toda a
disponibilidade do executivo regional (PSD/CDS-PP) para colaborar com o
Ministério da Economia em diversos projetos, nomeadamente nos
relacionados com a transição digital, que considera essenciais para a
economia da região, bem como uma “oportunidade histórica” para criar
riqueza. Albuquerque manifestou-se, por outro lado, solidário com António Costa Silva sobre a redução generalizada do IRC.“Eu
estou consigo”, disse, para logo acrescentar: “Pode inclusivamente
utilizar o nosso exemplo [da Madeira] da descida de 30% do IRC para
14,8%, porque na verdade alargou a cobrança do imposto.”A 18 de setembro, António Costa Silva afirmou que uma redução do IRC
transversal a todas as empresas seria “um sinal extremamente importante
para toda a indústria” e “extremamente benéfico” face à atual crise.“Hoje,
face à crise que temos, penso que seria extremamente benéfico termos
essa redução transversal e, a partir daí, ver qual é o impacto que pode
ter no futuro”, disse o governante em declarações aos jornalistas à
margem de uma visita às empresas portuguesas que participavam na feira
de calçado MICAM, em Milão, Itália.